Mauro vê pressão, mas diz que o sistema prisional não é prioridade Governador alega que Estado não pode comprometer áreas essenciais para ampliar a estrutura carcerária
Com presídios superlotados e déficit de vagas, o governador Mauro Mendes (União) reconheceu a pressão no sistema penitenciário de Mato Grosso, mas fez um alerta: o Estado não pode comprometer áreas essenciais para ampliar a estrutura carcerária.
Em declaração direta, ele atribuiu o cenário ao aumento da criminalidade, aliado à maior eficiência das forças de Segurança Pública.
“O problema é que os bandidos continuam praticando muito crime e a Polícia aumentou sua eficiência, está prendendo muita gente”, afirmou.
Mauro Mendes destacou que, apesar dos investimentos realizados nos últimos anos, o crescimento da população carcerária tem sido mais acelerado que a ampliação de vagas.
“Quando nós chegamos, tínhamos pouco mais de 6 mil vagas e mais de 11 mil presos. Hoje, já temos mais de 12 mil vagas, mas o número de detentos subiu para cerca de 16 mil”, explicou.
Diante da cobrança por novas unidades — inclusive, com relatos de uso de delegacias para abrigar presos -, o governador foi enfático ao estabelecer limites orçamentários.
“Eu não posso pegar todo o dinheiro do cidadão, tirar dinheiro da escola para colocar em presídio. Não posso tirar dinheiro de hospitais para colocar em presídio”, declarou.
DENTRO DO LIMITE - Mesmo com a restrição, Mauro Mendes garantiu que o Estado continuará ampliando o sistema prisional, dentro da capacidade financeira e do planejamento em curso.
“Vai ter novas construções, já estão tendo novas construções. E eu acredito que vai continuar tendo novas construções”, disse.
Ele citou obras em andamento e novas entregas previstas, como parte de um cronograma para reduzir o déficit.
“Já existe uma programação de construções em andamento. Tem inaugurações para ser feitas, tem obra iniciando, está dentro de um cronograma”, afirmou.
PRESSÃO CRESCENTE - O posicionamento ocorre em meio a um cenário crítico.
Mato Grosso vive uma escalada no número de presos e enfrenta um sistema que opera acima da capacidade.
Atualmente, o Estado tenui cerca de 12,9 mil vagas para aproximadamente 16 mil detentos, o que representa uma ocupação média de 126%.
Apesar de inferior à média nacional, o índice esconde realidades ainda mais graves em unidades específicas, onde a superlotação já ultrapassa níveis críticos.
Levantamento aponta situações alarmantes, como em Barra do Garças (509 km a Leste de Cuiabá), com ocupação 167% acima da capacidade, além de cidades como Primavera do Leste, Colniza e Pontes e Lacerda, que também operam muito acima do limite.
PAPEL DO ESTADO - Mendes também defendeu a atuação das forças de segurança e do Judiciário, afirmando que o aumento de prisões é consequência direta do combate ao crime.
“O papel da polícia é prender, o do Judiciário é julgar. Quando o cara comete crime, tem que prender e o Estado precisa criar condições”, afirmou.

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