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Policia MT
Quinta - 26 de Março de 2026 às 09:12
Por: Yuri Ramires/Gazeta Digital

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A advogada Jackeline Santana da Silva Nascimento foi presa na manhã desta quinta-feira (26) durante a Operação Iter Mali, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso para desarticular um grupo criminoso envolvido com tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com atuação em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo a investigação, a advogada não apenas prestava serviços jurídicos ao grupo, como também atuava diretamente na estrutura criminosa, sendo responsável pela movimentação financeira e pela contabilidade do esquema, além de defender judicialmente integrantes da organização.

Ao todo, foram cumpridos 28 mandados judiciais, sendo 9 de prisão preventiva, 9 de busca e apreensão domiciliar e dez bloqueios de contas bancárias e indisponibilidade de valores dos investigados. As ordens foram expedidas pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Várzea Grande e cumpridas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).

Advogada atuava na contabilidade do grupo

De acordo com o delegado Marcelo Miranda Muniz, responsável pelas investigações, Jackeline não se limitava à atuação jurídica e tinha papel ativo dentro da organização criminosa.

A investigação apontou que a advogada utilizava contas de terceiros e transferências bancárias para movimentar valores provenientes do tráfico, dificultando o rastreamento financeiro e caracterizando indícios de lavagem de dinheiro. Além disso, ela atuava em processos judiciais defendendo outros integrantes do grupo criminoso.

Em uma ação policial anterior, realizada na residência da advogada, foram apreendidos uma pistola calibre 9 milímetros, um carregador com 25 munições e um cofre contendo mais de R$ 10,7 mil em dinheiro, valor apontado como oriundo do tráfico de drogas.

“A decretação da prisão preventiva de uma profissional do Direito evidencia que a corrupção do sistema se infiltra por todas as camadas sociais. Ninguém está acima da lei”, afirmou o delegado Marcelo Muniz.

Investigação

As investigações começaram em 2024, após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão que resultou na apreensão de drogas e dinheiro oriundo do tráfico. A partir disso, a Denarc identificou a existência de uma associação criminosa estruturada e voltada ao narcotráfico.

Segundo a Polícia Civil, o grupo possuía funções bem definidas. O líder era responsável pelo fornecimento das drogas, enquanto um operador cuidava do fracionamento, embalagem e distribuição dos entorpecentes. Outros integrantes realizavam a venda nas chamadas “bocas de fumo”.

Ainda conforme apurado, um dos investigados atuava na movimentação financeira do grupo, utilizando contas de terceiros para ocultar a origem dos recursos ilícitos.

Durante as investigações, os policiais também identificaram o uso de termos codificados nas conversas entre os integrantes, como “parafuso”, “bala” e “farinha”, utilizados para se referir às drogas comercializadas. As apurações indicaram ainda que o grupo realizava transações diárias com quantidades expressivas de entorpecentes.

A Operação Iter Mali segue em andamento e as investigações continuam para identificar outros integrantes e possíveis ramificações do grupo criminoso.





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