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Policia MT
Segunda - 08 de Junho de 2026 às 11:33
Por: Aline Almeida/Gazeta Digital

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Disputa territorial entre facções por rotas do tráfico em Mato Grosso é um dos fatores do crescimento da circulação de entorpecentes na região. Um dos reflexos pode ser observado nas apreensões: em 10 anos, quase 270 toneladas de drogas foram apreendidas no estado. De 2015 a 2025, as apreensões passaram de 8,6 toneladas para 59,6 toneladas, crescimento de 591% ou quase 7 vezes mais. Os dados compõem o 7º Anuário da Segurança Pública de Mato Grosso.

O estado ocupa uma posição geográfica estratégica no mapa do crime organizado, com mais de 900 quilômetros de fronteira com a Bolívia, um dos maiores produtores de cocaína do mundo. Também se consolidou como uma das principais portas de entrada e escoamento de drogas para o país e para o exterior. Nessa faixa fronteiriça, onde estão localizadas 28 cidades, instalou-se a disputa territorial pelas rotas do tráfico.

Especialista em criminologia, Vladia Soares enfatiza que a disputa por corredores de circulação aumentou o fluxo de drogas nos estados de fronteira.

“As pesquisas, levantamentos de segurança pública e análises policiais costumam atribuir esse crescimento a uma combinação de fatores e não a uma causa única. Mato Grosso se tornou rota estratégica do narcotráfico e esse é provavelmente o fator mais citado. O estado ocupa uma posição geográfica central: faz fronteira com a Bolívia, importante produtora de cocaína; conecta Norte, Centro-Oeste, Sudeste e portos de exportação; e possui extensas áreas rurais e rotas clandestinas. Mato Grosso deixou de ser apenas um ‘corredor secundário’ e passou a integrar a logística principal do tráfico interestadual e internacional”, disse.

Outro fator, segundo a professora de Processo Penal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), é atribuído à expansão das facções criminosas e à consolidação das facções nacionais nas rotas do Centro-Oeste. “O avanço de grupos como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho ampliou a profissionalização logística, o uso de rotas alternativas, o armazenamento regional e o transporte em larga escala”, reforçou.

A disputa entre facções na fronteira matogrossense intensificou-se em 2022. A fronteira tornou-se palco de confrontos entre as maiores facções criminosas do Brasil. O PCC sempre atuou na fronteira, mas não tinha o domínio da rota rodoviária utilizada para escoar drogas para São Paulo e Paraná, que passa por Sorriso.

Efetivamente, 2022 foi um ano de grande movimentação entre os grupos criminosos. A hegemonia do CV no estado, principalmente na zona de fronteira com a Bolívia, tendo a cidade de Cáceres como principal referência, foi ameaçada com a entrada do PCC.





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