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Cidades/Geral
Quarta - 10 de Junho de 2026 às 13:24
Por: Jardes Johnson/Primeira Pagina

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A violência psicológica contra mulheres registrou uma das maiores altas entre todos os crimes monitorados pela Segurança Pública de Mato Grosso em 2025. Os casos saltaram de 2.259 para 3.722 ocorrências em apenas um ano, um aumento de 65%, segundo o 3º Anuário da Mulher de Mato Grosso, divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Violência psicológica contra mulheres aumentou 65% em Mato Grosso. - Foto: CanvaViolência psicológica contra mulheres aumentou 65% em Mato Grosso. – Foto: Canva

O crescimento chama atenção por envolver um tipo de violência que muitas vezes acontece longe dos olhos da sociedade e sem deixar marcas físicas. Prevista na Lei Maria da Penha, a violência psicológica inclui humilhações, manipulação, ameaças, chantagens, perseguições, isolamento social, controle excessivo, insultos e práticas como o chamado “gaslighting”, quando o agressor distorce fatos para fazer a vítima duvidar da própria memória ou sanidade.

Mas o avanço da violência psicológica não foi um caso isolado.

Os dados do anuário mostram que Mato Grosso registrou 54.944 ocorrências de violência contra mulheres entre 18 e 59 anos em 2025, contra 52.200 no ano anterior, crescimento de 5,3%.

Em relação a mortes de mulheres, o número caiu de 99 em 2024 para 95 em 2025 (-4%), segundo dados da Sesp. Desse total, 49% foram vítimas de violência doméstica, enquanto 25% morreram por facções criminosas.

As cidades com maior número de mulheres mortas são Cuiabá e Cáceres, com sete casos cada, seguidas de Sinop (6), Rondonópolis (5) e Várzea Grande (5). Confira mais abaixo:

Quando se trata de feminicídios, o Observtório Caliandra, do Ministério Público do Estado (MPMT), registrou 54 casos em 2025. Até metade de maio de 2026, Mato Grosso registrava 17 feminicídios. Atualmente, o número subiu para 21 casos, repetindo o cenário alarmante do ano anterior.

Anuário da Mulher MT 2025

Mortes de mulheres registradas em Mato Grosso em 2025

Levantamento reúne homicídios e feminicídios registrados nos municípios mato-grossenses ao longo do ano.

MunicípioTotalMunicípioTotalMunicípioTotal
Cáceres7São José do Rio Claro2Juscimeira1
Cuiabá7Sapezal2Marcelândia1
Sinop6Água Boa1Mirassol d’Oeste1
Rondonópolis5Alto Boa Vista1Nova Guarita1
Várzea Grande5Apiacás1Nova Lacerda1
Aripuanã3Araputanga1Nova Santa Helena1
Lucas do Rio Verde3Bom Jesus do Araguaia1Nova Xavantina1
Peixoto de Azevedo3Campos de Júlio1Novo Santo Antônio1
Sorriso3Canabrava do Norte1Poconé1
Tangará da Serra3Colíder1Poxoréu1
Barra do Bugres2Cotriguaçu1Ribeirão Cascalheira1
Confresa2Denise1Ribeirãozinho1
Guarantã do Norte2Diamantino1Rosário Oeste1
Nobres2General Carneiro1Santa Carmem1
Nova Mutum2Itiquira1São José dos Quatro Marcos1
Pontes e Lacerda2Jaciara1Vera1
São Félix do Araguaia2Jangada1Vila Bela da Santíssima Trindade1
Fonte: 3º Anuário da Mulher de Mato Grosso (Sesp-MT) • Elaboração: Primeira Página

Os números que mais preocupam

Além da explosão dos casos de violência psicológica, outros indicadores apresentaram crescimento expressivo:

Mulher vítima de violência domésticaAnuário da Mulher MT 2025

Os crimes que mais cresceram contra mulheres

🚨 Principal alerta

Os casos de violência psicológica passaram de 2.259 para 3.722 registros, uma alta de 65% em Mato Grosso.

📊 Evolução dos registros

Feminicídio tentado

66 → 124 casos

+88%

Perseguição (stalking)

2.336 → 2.970 registros

+27%

Descumprimento de medida protetiva

2.023 → 2.292 ocorrências

+13%

Injúria

6.101 → 6.727 casos

+10%

Estupro

381 → 408 registros

+7%

Lesão corporal

9.547 → 9.970 casos

+4%

Fonte: Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT)
Infográfico: Primeira Página

O levantamento mostra ainda que a ameaça continua sendo o crime mais registrado contra mulheres no estado, com 18.911 ocorrências em 2025, mesmo apresentando queda de 5% em relação ao ano anterior.

Casa continua sendo o principal cenário da violência

O anuário revela que a maior parte dos episódios de violência contra mulheres continua acontecendo dentro de casa. Foram 26.872 registros em residências particulares, número muito superior ao observado em vias públicas (3.390 casos) e na internet (3.217 ocorrências).

Maior parte dos episódios de violência contra mulheres acontece dentro de casa. - Foto: imagem gerada por IAMaior parte dos episódios de violência contra mulheres acontece dentro de casa. – Foto: imagem gerada por IA

Os dados reforçam que o agressor, na maioria das vezes, está no círculo de convivência da vítima, tornando a denúncia ainda mais difícil.

Quase 10 mil casos aconteceram aos domingos

Outro dado que chama atenção é a concentração dos registros nos finais de semana. O domingo foi o dia com mais ocorrências de violência contra mulheres em Mato Grosso, somando 9.753 registros ao longo de 2025. O número acompanha o índice nacional.

Em relação aos horários, 32% dos casos ocorreram entre 18h e 23h59, enquanto outros 31% aconteceram entre meio-dia e 17h59.

🚨 Como pedir ajuda em casos de violência contra a mulher

Canais gratuitos de denúncia, orientação e solicitação de medidas protetivas em Mato Grosso.

☎️ Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180

Atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. O serviço orienta vítimas, recebe denúncias e encaminha os casos à rede de proteção.

Ligar 180WhatsApp 180

WhatsApp: (61) 9610-0180
E-mail: central180@mulheres.gov.br

🛡️ Solicite medida protetiva online

Mulheres vítimas de violência podem solicitar medida protetiva diretamente pelo sistema SOS Mulher, da Polícia Civil de Mato Grosso.

Acessar SOS Mulher

🚔 Denúncias e emergências

Em situações de risco ou para registrar denúncias, utilize os canais oficiais da Segurança Pública.

Polícia Civil (197)Disque Denúncia (181)(65) 3613-6981Se houver risco imediato à integridade física da vítima, acione a Polícia Militar pelo telefone 190.

Especialistas alertam que agressões psicológicas costumam ser a porta de entrada para formas mais graves de violência. Por isso, identificar sinais de controle, humilhação, perseguição e manipulação pode ser decisivo para interromper o ciclo de abuso antes que ele evolua para agressões físicas ou feminicídio.





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