Vazio sanitário da soja entra em vigor e terá fiscalização Indea alerta produtores sobre proibição de plantas vivas de soja até setembro; descumprimento pode gerar multas superiores a R$ 7,8 mil
O período do vazio sanitário da soja já está em vigor em Mato Grosso e seguirá até o dia 6 de setembro. A medida, considerada uma das principais estratégias de defesa fitossanitária da agricultura brasileira, proíbe a existência de qualquer planta viva de soja nas propriedades rurais durante 90 dias com o objetivo de reduzir a incidência da ferrugem asiática, principal doença que afeta a cultura.
O alerta foi reforçado pelo Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), responsável pela fiscalização do cumprimento da norma. O período foi estabelecido pela Instrução Normativa Conjunta nº 001/2026, publicada em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
Segundo o órgão, produtores que descumprirem a determinação estão sujeitos à aplicação de multas. A penalidade inicial é de 30 Unidades Padrão Fiscal (UPFs), equivalente atualmente a R$ 7.855,20, além da cobrança de duas UPFs por hectare da área em desacordo com a legislação.
O início do vazio sanitário ocorre em um momento de expansão da cultura no Estado, que segue como maior produtor de soja do Brasil.
Dados do Indea apontam que a área cadastrada para a safra 2025/26 alcançou 11,7 milhões de hectares distribuídos em 16.610 unidades de produção. Na safra anterior, haviam sido registrados 11,35 milhões de hectares em 16.324 propriedades.
O crescimento foi de 352,5 mil hectares em apenas uma temporada, reforçando a importância econômica da oleaginosa para Mato Grosso.
Durante todo o período de vigência da medida, equipes do Indea realizarão fiscalizações em propriedades rurais para verificar a eliminação das plantas de soja e garantir o cumprimento das regras sanitárias.
O vazio sanitário foi implantado em Mato Grosso em 2006 após recomendação de pesquisadores e produtores preocupados com os prejuízos causados pela ferrugem asiática da soja.
A doença é provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, considerado uma das maiores ameaças à produção da oleaginosa. O microrganismo depende de plantas vivas de soja para sobreviver e se multiplicar.
Ao eliminar as plantas hospedeiras durante a entressafra, o vazio sanitário interrompe o ciclo biológico do fungo e reduz significativamente a pressão da doença na safra seguinte.
A ferrugem asiática provoca desfolha precoce das plantas, comprometendo o enchimento dos grãos e reduzindo a produtividade das lavouras.
Por causar perdas econômicas expressivas e aumentar os custos de produção com defensivos agrícolas, a doença é considerada uma das principais preocupações dos sojicultores mato-grossenses.
Diante da expansão da área cultivada e da importância da cultura para a economia estadual, o Indea reforça a necessidade de cumprimento rigoroso das regras sanitárias para preservar a produtividade das lavouras e manter a competitividade da soja produzida em Mato Grosso.

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