Família de Sorriso reúne 9 pares de gêmeos em diferentes gerações Casos se repetem há mais de 25 anos entre parentes do lado materno, que atualmente vivem em cidades de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.
Ter um par de gêmeos na família já costuma despertar curiosidade. Na família de Josiane Marques, de Sorriso (MT), porém, a história se repetiu várias vezes: são nove pares de gêmeos, distribuídos por diferentes gerações e cidades do país.
Segundo Josiane, todos os casos ocorreram entre parentes do lado materno. A sequência começou há mais de 25 anos, quando uma tia dela teve duas meninas gêmeas. As duas, que são de placentas diferentes e não são idênticas, foram as primeiras de uma lista que continuaria crescendo ao longo dos anos.
“Depois que nasceram as primeiras gêmeas da família, eu me apaixonei. Sempre quis ter gêmeos”, contou Josiane.
Anos depois, foi a vez da irmã dela dar à luz Isadora e Isabela, que atualmente têm 18 anos. Na época, Josiane chegou a pensar que a possibilidade de ter gêmeos não se repetiria entre as irmãs.
As primas gêmeas, Isabela, Isadora, Maria Eduarda e Ana Clara. – Foto: Arquivo Pessoal“Quando a minha irmã teve as meninas, pensei que eu já não teria mais chance, mas depois vieram as minhas”, relembrou.
Josiane é mãe de Ana Clara e Maria Eduarda, outro par de gêmeas da família. Depois delas, outros parentes também tiveram gestações gemelares. Entre os nove pares há duas meninas, dois meninos e também um casal formado por menino e menina.
Uma das tias de Josiane, por exemplo, engravidou novamente depois de três gestações e teve dois meninos gêmeos. Outros casos ocorreram entre primas da família. Com o passar dos anos, os parentes se espalharam por diferentes cidades e o contato entre alguns deles diminuiu.
As primas compartilham a paixão pelo handbol e recentemente as mais novas foram convocadas. – Foto: Arquivo PessoalAs mais velhas estão perto de completar 26 anos e vivem em Rondonópolis. Isadora e Isabela têm 18 anos, enquanto os pares mais novos moram principalmente em cidades de Goiás e em Minas Gerais.
A família tem origem goiana e mineira. A mãe de Josiane nasceu em Goiás, enquanto o pai, já falecido, era de Minas Gerais. Josiane e a irmã vivem atualmente em Sorriso, e a mãe delas mora em Chapada dos Guimarães.
Além da coincidência familiar, quatro das gêmeas também compartilham a ligação com o esporte. Isadora e Isabela praticam handebol, assim como Ana Clara e Maria Eduarda.
Recentemente, Ana Clara e Maria Eduarda, reveladas nas categorias de base da Associação Sorriso, foram convocadas para a Seleção Brasileira Infantil Feminina de Handebol e representarão o país em uma competição internacional.
Qual é a chance de ter gêmeos? Entenda o que diz a ciência
A gravidez de gêmeos é considerada um evento relativamente raro, principalmente quando acontece de forma natural, sem tratamentos de fertilidade. De acordo com especialistas, a chance de uma gestação gemelar espontânea varia entre 1% e 2%.
Os gêmeos idênticos (univitelinos) são ainda mais incomuns e representam cerca de 0,4% de todas as gestações. Já os gêmeos fraternos (bivitelinos ou dizigóticos), formados a partir de dois óvulos fecundados por espermatozoides diferentes, ocorrem em aproximadamente 1 a cada 80 gestações, o equivalente a 1,25% dos casos.
Ter casos de gêmeos na família pode aumentar as chances de uma gravidez múltipla, mas apenas quando se trata de gêmeos fraternos. Segundo a médica Fabiana Ardeo, especialista em ginecologia, isso acontece porque algumas mulheres herdam uma predisposição genética para liberar mais de um óvulo durante o mesmo ciclo menstrual, fenômeno conhecido como superovulação.
Essa característica é transmitida pelo lado materno da família. Assim, mulheres cuja mãe, avó ou outras parentes tiveram gêmeos fraternos podem ter uma probabilidade maior de engravidar de gêmeos. Já homens com irmãos gêmeos não aumentam diretamente as chances de terem filhos gêmeos, embora possam transmitir essa predisposição genética às filhas.
Outro mito bastante conhecido é o de que a gravidez de gêmeos “pula uma geração”. No entanto, os especialistas afirmam que não existe comprovação científica para essa crença. Quando há predisposição genética para a superovulação, ela pode aparecer em gerações consecutivas, passando de avós para mães e filhas, sem necessidade de “pular” uma geração.

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