Mato Grosso consolida suinocultura como a 6ª maior do Brasil Estado amplia produção em 17,1%, registra terceira alta seguida no número de matrizes e aposta em inovação
A suinocultura mato-grossense vive um novo ciclo de expansão.
Em 2026, a produção estadual de suínos cresceu 17,1% em relação ao ano anterior, consolidando Mato Grosso como o sexto maior produtor do país e um dos principais polos de crescimento da atividade no Brasil.
Os números foram apresentados pelo AgriHub, durante o 5º Simpósio de Suinocultura, realizado na última sexta-feira (10), em Cuiabá.
Na mesma ocasião, foi divulgado o relatório Sementes da Inovação – Suinocultura 2026, estudo que traça um amplo diagnóstico da cadeia produtiva e aponta os principais desafios e oportunidades para o setor.
Além do crescimento da produção, outro indicador chama atenção: o Estado registra o terceiro ano consecutivo de expansão do plantel de matrizes, que hoje está 31,94% acima da média histórica.
O avanço reflete os investimentos realizados pelos produtores, a profissionalização das granjas e a adoção crescente de tecnologias de gestão e produção.
Hoje Mato Grosso responde por 4,78% da produção nacional, ocupando a sexta colocação entre os maiores produtores brasileiros.
Nas últimas três décadas, o rebanho de matrizes apresentou uma transformação expressiva.
O Estado passou de cerca de cinco mil matrizes para aproximadamente 135 mil animais, consolidando uma das maiores expansões da suinocultura brasileira.
Segundo a gerente do AgriHub, Érika Segóvia, a importância crescente da atividade motivou sua escolha para esta edição do programa Sementes da Inovação.
"O setor demonstra elevada capacidade de crescimento e apresenta grande abertura para novas tecnologias, embora ainda existam gargalos importantes que precisam ser superados", afirma.
O levantamento foi realizado em dois dos principais polos produtores do Estado: a região de Sorriso — incluindo Lucas do Rio Verde, Sinop, Vera e Tapurah — e a região de Campo Verde, abrangendo ainda Primavera do Leste e Nova Brasilândia.
Ao todo, 123 produtores participaram da pesquisa, permitindo a identificação de 32 desafios estratégicos para a cadeia produtiva.
Entre as propriedades pesquisadas predominam granjas de ciclo completo (45,4%), seguidas por unidades produtoras de leitões (36,6%) e unidades de terminação (18,2%).
Outro dado demonstra a elevada escala da atividade em Mato Grosso.
Quase metade das granjas possui entre 1,5 mil e três mil animais, enquanto outras 40% operam com plantéis superiores a 12 mil cabeças.
Apesar do crescimento, o estudo mostra que infraestrutura e conectividade continuam sendo obstáculos para parte dos produtores.
Enquanto metade das propriedades pesquisadas na região de Campo Verde (140 km a Leste de Cuiabá) possui cobertura integral de internet, nenhuma granja analisada em Sorriso dispõe de conectividade total.
Mesmo assim, o interesse por inovação é praticamente unânime. Todos os produtores entrevistados na região de Sorriso (420 km ao Norte da Capital)afirmaram ter interesse em testar novas tecnologias.
Entre os principais desafios identificados estão: qualidade da matéria-prima das rações; comercialização; qualificação da mão de obra; acesso ao crédito; gestão das propriedades; assistência técnica especializada.
Essas demandas originaram um edital que atraiu 36 startups, das quais seis foram selecionadas para desenvolver soluções voltadas ao setor.
As tecnologias envolvem inteligência artificial, visão computacional, sensores tridimensionais, rastreabilidade animal, automação e plataformas de acesso ao crédito.
Para o superintendente da Famato, Imea e AgriHub, Cleiton Gauer, o crescimento do rebanho precisa agora ser acompanhado por ganhos de eficiência econômica.
Segundo ele, o aumento da produção amplia a pressão sobre os preços pagos ao produtor, tornando indispensáveis investimentos em produtividade e redução de custos.
"Nos últimos anos a atividade recuperou o rebanho, ampliou os abates e fortaleceu a produção. Agora o desafio é equilibrar crescimento com rentabilidade, mantendo a competitividade da cadeia no longo prazo", afirma.
O presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, avalia que o levantamento servirá como referência para orientar investimentos e aproximar os produtores das tecnologias disponíveis.
Segundo ele, o estudo demonstra que inovação deixou de ser tendência para se tornar uma necessidade da atividade.

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