Repórter News - reporternews.com.br
Agronegócios
Terça - 21 de Julho de 2026 às 08:54
Por: Marianna Peres/Diário de Cuiabá

    Imprimir


Mato Grosso caminha para colher a maior safra de milho de sua história.

Levantamento apresentado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revisou para cima as projeções da safra 2025/26 e passou a estimar uma produção de 57,06 milhões de toneladas.

O volume recorde supera tanto a previsão anterior do instituto quanto a estimativa de 55 milhões de toneladas, divulgada na última semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Se confirmada, a produção consolidará, mais uma vez, Mato Grosso como o maior produtor nacional de milho e repetirá um fenômeno que vem se tornando recorrente no Estado: a segunda safra de milho deverá superar, em volume, a produção de soja.

A nova projeção é resultado do projeto Imea em Campo, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro-MT).

Durante 64 dias, equipes técnicas percorreram 30.829 quilômetros, realizaram 833 avaliações de campo em 82 municípios e analisaram áreas que representam 96,4% da superfície cultivada com milho de segunda safra no Estado.

Nas visitas, os técnicos avaliaram indicadores como população de plantas, número de espigas, quantidade e peso dos grãos, umidade, além da incidência de pragas, doenças e plantas daninhas.

Com base nos dados coletados, o Imea elevou a estimativa de produtividade para 128,64 sacas por hectare, aumento de 6,95% em relação à projeção inicial elaborada antes do levantamento de campo.

A área cultivada foi mantida em 7,39 milhões de hectares, crescimento de 1,83% sobre a safra anterior, enquanto a produção foi revisada para 57,06 milhões de toneladas, avanço de 2,92% na comparação anual.

Segundo o analista do Imea, Henrique Eggers, as avaliações revelaram um desempenho superior ao inicialmente esperado.

"Percorremos todas as regiões produtoras durante dois meses e realizamos mais de 800 avaliações em campo. O trabalho mostrou que estamos diante de um novo recorde de produtividade e produção", afirmou.

Ele explica que, antes do levantamento, a expectativa era de uma produtividade próxima de 120 sacas por hectare.

Entretanto, os resultados observados nas propriedades revelaram maior número de espigas por hectare, mais grãos por espiga e melhor peso dos grãos, fatores que sustentaram a revisão dos números.

DIFERENÇAS ENTRE REGIÕES - O estudo também identificou diferenças importantes entre as regiões produtoras.

O excesso de chuvas no início do ciclo atrasou o plantio em diversas áreas, especialmente no Sudeste do Estado, onde houve maior percentual de lavouras implantadas fora da janela considerada ideal.

Na avaliação da qualidade das lavouras, o Médio-Norte apresentou o maior número de áreas classificadas como excelentes, enquanto o Centro-Sul concentrou a maior proporção de cultivos avaliados como muito ruins.

O levantamento também apontou diferenças no comportamento fitossanitário das lavouras.

As regiões Nordeste e Médio-Norte registraram menor incidência de pragas, enquanto Centro-Sul e Sudeste apresentaram maior infestação.

Entre os principais problemas identificados está o Leptoglossus, presente em 14,41% das áreas avaliadas, seguido pela Spodoptera spp., encontrada em 9,24% das lavouras.

No caso das doenças, o enfezamento foi a ocorrência mais frequente, aparecendo em 2,64% das avaliações.

As regiões Nordeste, Noroeste e Sudeste apresentaram os menores índices de incidência, enquanto o Oeste registrou maior número de casos moderados.

Outro indicador que chamou a atenção foi o desempenho produtivo das espigas.

A população média estadual alcançou 54,4 mil espigas por hectare, com destaque para o Médio-Norte e o Noroeste.

Já o número médio de grãos por espiga cresceu 4,82% em relação à safra passada, enquanto o peso dos grãos avançou 0,80%, reforçando o potencial produtivo observado durante as avaliações.

O levantamento também atualizou o cenário de mercado.

Até julho, 51,41% da produção estimada para a safra 2025/26 já havia sido comercializada, ao preço médio de R$ 43,10 por saca.

Para a safra 2026/27, as vendas antecipadas atingiram 7,90% da produção prevista, com preço médio de R$ 44,76 por saca, indicando que parte dos produtores já iniciou a estratégia de travamento de preços para o próximo ciclo.

CUSTOS PRESSIONAM - Apesar do cenário favorável para a produção, os custos permanecem como um dos principais desafios da atividade.

Segundo o Imea, o custo total da safra 2026/27 deverá atingir R$ 7.418,49 por hectare, alta de 10,30% em relação ao ciclo anterior.

Apenas o custeio operacional deverá crescer 14,46%, chegando a R$ 3.799,42 por hectare.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, afirmou que o aumento da produtividade ajuda a preservar a rentabilidade das propriedades, mas ressaltou que a gestão eficiente dos custos será determinante para o resultado financeiro dos produtores.

Na avaliação dele, o mercado reúne fatores positivos, como a valorização das commodities e o crescimento da demanda mundial por grãos, mas ainda convive com riscos relacionados ao aumento da oferta global e aos possíveis impactos climáticos do fenômeno El Niño.

Para o diretor de Relações Institucionais da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Ronaldo Vinha, o levantamento do Imea em Campo tornou-se uma importante ferramenta para orientar decisões de produtores, investidores e instituições interessadas no agronegócio estadual.

Segundo ele, os estudos ajudam a explicar o avanço da produtividade agrícola em Mato Grosso e fornecem informações estratégicas para o planejamento das cadeias produtivas, consolidando o Estado como uma das principais referências do agronegócio brasileiro.





Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: https://reporternews.com.br/noticia/473233/visualizar/