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Quarta - 22 de Julho de 2026 às 08:47
Por: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

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WWF Brasil

Mato Grosso permanece como o Estado brasileiro mais afetado pelo fogo, nas últimas quatro décadas.

Levantamento divulgado pelo MapBiomas revela que, entre 1985 e 2025, cerca de 45,1 milhões de hectares foram atingidos por queimadas no território mato-grossense — área equivalente a mais de cinco vezes o tamanho de Portugal e correspondente a 21,65% de toda a superfície queimada no Brasil no período.

O volume coloca o Estado na liderança nacional, seguido pelo Pará, com 31,6 milhões de hectares, e pelo Maranhão, com 20,7 milhões.

Juntos, os três estados concentram praticamente metade de toda a área atingida pelo fogo no país desde o início da série histórica, evidenciando o peso da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal na dinâmica das queimadas brasileiras.

Os dados fazem parte do Relatório Anual do Fogo no Brasil (RAF), elaborado pelo MapBiomas, que monitora a evolução das queimadas em todos os biomas nacionais utilizando imagens de satélite.

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Segundo a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, o levantamento permite compreender como o regime do fogo mudou nas últimas décadas e orientar políticas públicas mais eficientes.

"O conhecimento produzido pela série histórica é essencial para definir prioridades de prevenção e implementar estratégias de manejo integrado do fogo com base em evidências", afirma.

TRÉGUA NÃO ELIMINA RISCOS - Embora continue liderando a série histórica, Mato Grosso apresentou redução significativa na área queimada em 2025.

No ano passado, aproximadamente 1,6 milhão de hectares foram consumidos pelo fogo, volume 61% inferior à média anual registrada nas últimas quatro décadas, estimada em pouco mais de 4,1 milhões de hectares.

O desempenho colocou o Estado apenas na quarta posição do ranking nacional em 2025, atrás do Maranhão, Tocantins e Bahia.

A melhora é atribuída ao retorno das chuvas após dois anos marcados pelos efeitos do fenômeno El Niño, que provocou seca extrema em grande parte do país.

Mas a redução das queimadas não significa que o problema esteja resolvido.

Para a pesquisadora do Ipam Vera Arruda, o aumento das chuvas favoreceu o crescimento da vegetação, criando uma quantidade maior de biomassa disponível para queimar durante futuros períodos de estiagem.

Caso 2026 registre uma nova seca severa, essa vegetação poderá funcionar como combustível para incêndios de grandes proporções.

"O retorno das chuvas reduziu as queimadas, mas também aumentou o acúmulo de material vegetal. Se houver nova estiagem acompanhada do uso indiscriminado do fogo, o risco de grandes incêndios cresce novamente", alerta.

PANTANAL, CERRADO E AMAZÔNIA - O levantamento mostra que os municípios mais atingidos estão localizados justamente na transição entre os principais biomas brasileiros.

Entre os quinze municípios com maior área queimada acumulada desde 1985, quatro pertencem a Mato Grosso.

São eles: Cáceres; Paranatinga; Cocalinho;e Tangará da Serra.

Todos ultrapassaram a marca de um milhão de hectares queimados ao longo da série histórica.

No recorte exclusivo de 2025, apenas dois municípios mato-grossenses figuraram entre os dez mais atingidos do país: Cocalinho, com cerca de 155 mil hectares queimados, e Luciara, com aproximadamente 147 mil hectares.

O estudo também derruba a percepção de que os incêndios se concentram apenas em áreas públicas.

Segundo o MapBiomas, 58% de toda a área queimada desde 1985 ocorreu em terras privadas.

Desse total, quase metade corresponde a imóveis rurais particulares.

Os assentamentos rurais representam 8,4% da área atingida, enquanto terras indígenas respondem por 6,5%.

As glebas públicas aparecem com percentual semelhante.

Os dados reforçam que o enfrentamento das queimadas depende tanto da fiscalização ambiental quanto da adoção de práticas preventivas por produtores rurais e proprietários de terras.

PERÍODO DECISIVO - Mato Grosso já enfrenta o período crítico da estiagem, quando cresce o risco de incêndios florestais.

Desde julho está proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais, medida que permanece em vigor até novembro.

Órgãos ambientais e equipes de combate intensificaram ações de fiscalização, monitoramento por satélite e campanhas educativas para reduzir a ocorrência de incêndios.

Especialistas alertam, porém, que o sucesso dessas medidas dependerá também das condições climáticas dos próximos meses.

Se a previsão de um novo período de estiagem intensa se confirmar, a combinação entre vegetação acumulada e baixa umidade poderá recolocar Mato Grosso no centro das maiores queimadas do país.

Os estados mais atingidos pelo fogo (1985–2025)

Estados - Área queimada

- Mato Grosso - 45,1 milhões ha

- Pará - 31,6 milhões ha

- Maranhão 20,7 milhões ha

* Os três estados concentram cerca de 47% de toda a área queimada no Brasil, desde 1985.





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