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Segunda - 27 de Julho de 2026 às 07:20
Por: Pablo Rodrigo/Gazeta Digital

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A disputa pelo governo de Mato Grosso, considerada por aliados e adversários como a mais competitiva desde a redemocratização, e com possibilidade inédita de segundo turno, marca também o retorno de dois personagens que simbolizaram uma geração da política matogrossense, mas que encerraram suas trajetórias públicas após serem atingidos por escândalos de corrupção.

De um lado, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) escolheu o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, para integrar o núcleo estratégico de sua campanha à reeleição. De outro, o senador Wellington Fagundes (PL) entregou ao ex-deputado federal Pedro Henry a coordenação política da campanha na região Oeste do Estado.

Os dois nomes carregam em comum uma trajetória de forte influência política em Mato Grosso, seguida por um abrupto afastamento da vida pública após denúncias e condenações que ganharam repercussão nacional. Agora, mais de uma década depois, voltam aos bastidores de uma eleição que pode redefinir o mapa político estadual.

A coincidência chama atenção porque Pagot e Henry integraram, durante anos, o mesmo grupo político liderado pelo então governador Blairo Maggi, hoje aliado de Pivetta. Ambos foram protagonistas de um período de forte expansão da influência de Mato Grosso em Brasília, mas também acabaram associados aos maiores escândalos políticos da década passada.

PAGOT: HOMEM FORTE DE BLAIRO MAGGI

Engenheiro de formação, Luiz Antônio Pagot construiu sua carreira política ao lado de Blairo Maggi. Durante as gestões do então governador, ocupou cargos estratégicos, como secretário de Infraestrutura, secretário-chefe da Casa Civil e secretário de Educação, tornando-se um dos principais formuladores administrativos da gestão.

Em 2007, indicado por Maggi, assumiu a direção-geral do Dnit, um dos órgãos mais importantes do governo federal, responsável pela execução das obras rodoviárias do país. Sua permanência no cargo terminou em julho de 2011, quando veio à tona a crise no Ministério dos Transportes durante o governo Dilma Rousseff.

Reportagens apontaram suspeitas de superfaturamento de obras, pagamento de propinas e favorecimento a empreiteiras envolvendo dirigentes do ministério e do Dnit. Diante da repercussão, Pagot foi afastado e posteriormente exonerado do cargo. Na época, ele negou partici pação em irregularidades e afirmou ao Senado que o órgão era permanentemente fiscalizado pelos órgãos de controle, sustentando que eventuais ilícitos eram investigados e combatidos pela própria administração. Depois da saída do governo federal, Pagot abandonou a vida político-partidária, dedicando-se à iniciativa privada e à consultoria em infraestrutura, mantendo apenas influência nos bastidores da política estadual. Agora, retorna como um dos principais conselheiros de Pivetta para a disputa eleitoral.

HENRY: PROTAGONISTA DO MENSALÃO

Se Pagot ficou marcado pelas denúncias envolvendo o DNIT, Pedro Henry tornou-se um dos principais personagens mato-grossenses do escândalo do mensalão. Médico de formação, Henry iniciou a carreira política ainda na década de 1990, elegendo-se deputado estadual antes de chegar à Câmara dos Deputados, onde permaneceu por quatro mandatos consecutivos. Durante anos foi uma das maiores lideranças do PP em Mato Grosso e exerceu influência na política estadual e nacional. Sua trajetória sofreu uma ruptura após o julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal. Henry foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por participar do esquema que ficou conhecido como mensalão.

A pena fixada foi de sete anos e dois meses de prisão, além de multa. Em 2013, renunciou ao mandato de deputado federal para iniciar o cumprimento da pena, encerrando uma carreira política que durava mais de duas décadas. Desde então, afastouse da política eleitoral, voltando a exercer a medicina e mantendo atuação discreta nos bastidores. Agora, reaparece como coordenador político da campanha de Wellington Fagundes na região Oeste, uma das áreas estratégicas da disputa estadual.

O RETORNO DOS BASTIDORES

Embora não disputem cargos eletivos, Pagot e Henry voltam a exercer influência justamente na eleição que promete ser a mais equilibrada da história recente de Mato Grosso. A participação de ambos evidencia que, apesar do afastamento da vida pública provocado pelos escândalos que marcaram suas trajetórias, antigas lideranças continuam ocupando espaço nas articulações eleitorais dos principais candidatos ao Palácio Paiaguás. Enquanto Pivetta aposta na experiência administrativa e política de Pagot para estruturar sua campanha, Wellington Fagundes recorre ao conhecimento eleitoral de Pedro Henry para ampliar sua presença no interior do Estado.

O retorno dos dois personagens também resgata um período em que ambos integravam o mesmo grupo político ligado a Blairo Maggi, ainda que hoje estejam em lados opostos da principal disputa eleitoral de Mato Grosso. A presença de figuras associadas a episódios que marcaram a política nacional acrescenta um componente simbólico à campanha de 2026, em que o confronto entre os projetos de Pivetta e Wellington tende a monopolizar o debate político até outubro.

Outro lado

Procurado, Pedro Henry disse que não está filiado em nenhum partido político desde que deixou a vida pública. E que atuará na campanha de Fagundes por amizade. “Sou amigo desde a juventude de Wellington Fagundes e dentro das possibilidades vou ajudá-lo”, disse. Já Wellington disse que todos estão sendo convidados para a sua campanha. Pagot disse que está na coordenação de apoio à estruturação.





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