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Policia MT
Sábado - 01 de Agosto de 2026 às 06:59
Por: Maria Clara Silva/Da Reportagem

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Paulo Witer Farias Paelo, que controlava a facção criminosa Comando Vermelho, mesmo preso na PCE
Paulo Witer Farias Paelo, que controlava a facção criminosa Comando Vermelho, mesmo preso na PCE

A Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso, na quinta-feira (30), revelou a sofisticada estrutura financeira utilizada pelo Comando Vermelho (CV) para lavar dinheiro e ocultar patrimônio milionário, dentro e fora do Estado.

Segundo as investigações, o esquema era comandado pelo faccionado Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT.

Mesmo preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ele continuava exercendo o controle financeiro e disciplinar da organização criminosa, por meio de celulares introduzidos ilegalmente na unidade prisional.


A investigação aponta que WT determinava a compra de imóveis, veículos, a movimentação de recursos financeiros, a ocultação de patrimônio e até ordens relacionadas à prática de torturas.

Para executar essas tarefas, o grupo utilizava pessoas de confiança e empresas em nome de terceiros, numa estrutura criada para dificultar o rastreamento do dinheiro obtido com atividades criminosas.

INFO operação replay

A operação cumpriu 10 mandados de prisão preventiva, dezenas de mandados de busca e apreensão e medidas cautelares em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Também foram sequestrados imóveis, veículos e determinados bloqueios judiciais que ultrapassam R$ 17 milhões, atingindo diretamente a base financeira da facção.

REDE DE APOIO - De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa mantinha uma verdadeira rede de apoio composta por pessoas sem antecedentes diretos no tráfico, mas que exerciam funções estratégicas para movimentar o patrimônio do grupo.

Entre os presos, estão:

- a advogada Dayane Karol Moreira da Silva, apontada como responsável por ocultar bens em nome de terceiros;

- assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva;

- o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como "Soldado";

- o empresário Emerson Ferreira Lima, o "Gordão";

- a influenciadora digital Katani Adorno Bocardi, presa no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, ao desembarcar de uma viagem internacional.

Também foram presos Aldemir de Assis Campos (Tucão), Ygor Henrique da Silva Martins, Anderson Alves de Sousa e Thawany Nunes Silva de Bulhões, esposa de WT, apontada como uma das principais beneficiárias do patrimônio acumulado pela organização criminosa.

PATRIMÔNIO MILIONÁRIO - Segundo a investigação, WT utilizava familiares e pessoas próximas como "laranjas" para registrar imóveis, veículos e outros bens de alto padrão.

No caso de Thawany Nunes, os investigadores afirmam que ela figurava como beneficiária direta do patrimônio adquirido com recursos ilícitos e participava da lavagem de dinheiro da facção.

Durante as diligências foram cumpridos mandados em imóveis localizados em Cuiabá, Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, onde foram apreendidos dinheiro em espécie, joias e bolsas de luxo.

Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 17,2 milhões em bens e ativos financeiros, incluindo apartamentos e casas de alto padrão, terrenos e veículos.

Somente em ativos financeiros, o bloqueio alcança até R$ 15,3 milhões, valor correspondente à movimentação identificada durante a investigação.

BRAÇO DIREITO - Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil afirmou que o jogador de futebol amador Alex Júnior exercia papel de destaque na estrutura da facção.

Segundo o delegado Victor Hugo, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Alex integrava o time "Amigos WT", pertencente ao líder da organização, e atuava como um dos principais operadores das movimentações financeiras do grupo.

"O jogador de futebol do time desse faccionado é um dos braços direitos dele aqui fora do presídio", afirmou o delegado, acrescentando que o investigado também participava da lavagem de dinheiro e da execução de ordens da organização criminosa.

SEQUÊNCIA DA OPERAÇÕES - A Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que já haviam identificado o funcionamento do núcleo financeiro do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, mesmo após a prisão de WT em 2024, o grupo manteve suas atividades por meio de colaboradores que recebiam ordens diretamente do líder da facção, permitindo a continuidade da movimentação de recursos ilícitos e da expansão patrimonial da organização.

Com a nova fase da investigação, o objetivo é desarticular definitivamente a estrutura financeira da organização criminosa, impedir a dissipação do patrimônio, preservar provas e enfraquecer a capacidade econômica do grupo, considerada um dos pilares para a manutenção das atividades criminosas no Estado.





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