O novo mapa da direita em Mato Grosso Aliança entre PL e MDB reorganiza forças políticas e divide lideranças conservadoras em dois grandes blocos, enquanto o Podemos segue como principal peça em disputa
A decisão da direção nacional do Partido Liberal (PL) de selar uma aliança com o MDB da deputada estadual Janaina Riva provocou a maior reorganização do campo conservador de Mato Grosso desde o início da pré-campanha eleitoral. O acordo não apenas consolidou um novo bloco de oposição ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), como também aprofundou divisões dentro do próprio PL, redesenhando o mapa político da direita no Estado.
De um lado está o grupo liderado pelo senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo. Além do próprio PL, a frente reúne oficialmente o MDB de Janaina Riva e o Novo, que indicou o empresário Marcelo Malouf para a vice-governadoria. Também passam a integrar o bloco o senador Jayme Campos (União Brasil), que declarou apoio após ficar fora da disputa ao Governo, e a Federação PRD-Solidariedade, que mantém a tendência de aderir formalmente à coligação. O próximo objetivo é atrair o Podemos, presidido pelo deputado Max Russi, considerado hoje a principal força ainda sem definição.
Do outro lado permanece o grupo governista, comandado por Otaviano Pivetta, que reúne Republicanos, União Brasil e Progressistas (PP). Embora o PL tenha formalizado a aliança com o MDB, parte importante da ala bolsonarista do partido resiste ao acordo e mantém maior proximidade política com o projeto de continuidade representado por Pivetta.
A principal voz dessa resistência é o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, que afirmou publicamente preferir ser expulso do PL a fazer campanha ao lado do MDB. Em manifestação nas redes sociais, declarou que não participará da coligação e classificou a composição como incompatível com sua trajetória política.
O deputado federal José Medeiros também demonstrou desconforto com a decisão nacional, embora permaneça como candidato ao Senado pela chapa de Wellington. Nos bastidores, aliados reconhecem que parte dos prefeitos eleitos pelo PL e lideranças identificadas com o bolsonarismo acompanha com cautela os desdobramentos da nova composição.
Nesse cenário, o Podemos transformou-se na principal peça do tabuleiro eleitoral. A legenda de Max Russi pode consolidar a maioria do bloco oposicionista ou reforçar o grupo governista, tornando-se fiel da balança na disputa pelo Palácio Paiaguás. Enquanto as convenções partidárias não encerram as negociações, o mapa da direita mato-grossense segue em transformação, com alianças inéditas, resistências internas e uma disputa cada vez mais polarizada entre os dois principais projetos políticos para 2026.

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