Operação da PF redesenha a disputa eleitoral em Mato Grosso Investigação atinge principal candidato ao Senado, pressiona chapa governista e amplia espaço para adversários na reta inicial
A deflagração da Operação Heritage, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), produz efeitos que vão além da esfera policial.
A investigação da Polícia Federal, sobre o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi, altera o ambiente político às vésperas da campanha eleitoral e impõe novos desafios aos principais grupos que disputarão o Palácio Paiaguás e as duas vagas ao Senado.
O maior impacto imediato recai sobre o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).
Favorito em praticamente todas as pesquisas divulgadas até agora para uma das cadeiras no Senado, Mauro iniciava a campanha em posição confortável, apoiado pela elevada aprovação de sua gestão e pela força da máquina política construída ao longo de quase oito anos no comando do Estado.
A operação, porém, muda o eixo do debate eleitoral.
Em vez de discutir apenas o legado administrativo do ex-governador, a campanha tende a incorporar a investigação conduzida pela Polícia Federal como um dos principais temas da disputa.
Embora a existência de uma investigação não represente culpa ou condenação, o episódio tende a consumir parte importante do tempo e da estratégia eleitoral de Mauro, que terá de dividir sua agenda entre a campanha e a defesa política e jurídica das acusações.
Os reflexos também atingem diretamente o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição.
Além de ter sucedido Mauro Mendes no Governo do Estado, Pivetta escolheu como candidato a vice o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), também investigado na Operação Heritage.
Na prática, a chapa governista passa a enfrentar o desafio de impedir que a campanha seja pautada quase exclusivamente pelo Caso Oi.
Até então, o discurso era de continuidade administrativa, crescimento econômico e grandes obras. Agora, a oposição tende a explorar diariamente a investigação, obrigando Pivetta e Garcia a responderem sobre um tema que deverá permanecer no centro do debate eleitoral.
O senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo do Estado, é o principal beneficiário político imediato da operação.
A investigação oferece à oposição um novo eixo de campanha. Além das críticas administrativas, Wellington poderá sustentar o discurso da necessidade de alternância de poder e cobrar explicações do grupo que comandou o Estado nos últimos anos.
Como Mauro Mendes era o principal fiador político da candidatura de Pivetta, qualquer desgaste do ex-governador pode repercutir também sobre o candidato do Republicanos.
Embora não dispute nenhum cargo nesta eleição, o senador Jayme Campos continua sendo uma das lideranças políticas mais influentes de Mato Grosso.
Após perder a convenção do União Brasil, Jayme rompeu politicamente com o grupo de Mauro Mendes, declarou apoio à candidatura de Wellington Fagundes ao Governo e passou a defender a eleição de Janaina Riva ao Senado.
Nesse cenário, a Operação Heritage fortalece o discurso da oposição e tende a aproximar ainda mais Jayme dos adversários do grupo governista durante a campanha.
Apesar da repercussão da operação, Mauro Mendes continua sendo um dos nomes mais conhecidos da política estadual e iniciou a campanha como favorito a uma das vagas ao Senado.
O desafio, a partir de agora, será impedir que a investigação domine sua agenda eleitoral.
A estratégia da campanha deverá concentrar esforços em separar a existência da investigação de eventual responsabilização criminal, destacando que não há denúncia nem condenação contra os investigados.
Independentemente do desfecho judicial, a Operação Heritage altera a dinâmica da disputa.
Até esta semana, os principais temas da campanha eram infraestrutura, economia, segurança pública e sucessão estadual.
Com a entrada da Polícia Federal e do STF no centro do debate, a tendência é que a discussão sobre o Caso Oi passe a ocupar espaço permanente na propaganda eleitoral, nos debates e nas manifestações dos candidatos.
Esse novo cenário impõe ao grupo governista o desafio de defender seu legado enquanto responde aos desdobramentos da investigação, ao mesmo tempo em que oferece à oposição um tema de grande repercussão para explorar durante os cerca de 60 dias que antecedem a votação.

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