Cinco toneladas de 'lixo' viram arte em exposição gratuita em Cuiabá Mostra Território do Tempo reúne esculturas, instalações e experiências sensoriais para provocar reflexões sobre consumo, sustentabilidade e futuro.
Garrafas, tampas, embalagens, brinquedos e outros materiais que poderiam terminar no lixo ganham novas formas, cores e significados em uma exposição que transforma resíduos em arte em Cuiabá.
A mostra Território do Tempo, aberta ao público a partir desta quarta-feira (12), reúne aproximadamente cinco toneladas de materiais descartados utilizados na criação de diferentes obras. A visitação será gratuita, mediante agendamento, no Sebrae.
Entre os trabalhos que mais traduzem essa transformação está Órbita dos Invisíveis, dos artistas cariocas Lula Duffrayer e Flávio Carvalho, do projeto Pirilampos do Planeta.
Instalação em LED Cascata do Tempo, integra o percurso expositivo de Território do Tempo. – Foto: AssessoriaA instalação é formada por cerca de 80 quilos de resíduos plásticos, incluindo embalagens, tampas, garrafas, brinquedos e materiais descartados pela indústria. O que antes poderia ser visto apenas como lixo aparece na exposição em forma de esculturas luminosas.
A obra já passou pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Belo Horizonte, pela COP30, em Belém, e por Londres, na Inglaterra.
Mas, o reaproveitamento dos materiais é apenas uma das provocações da exposição. A proposta é fazer o visitante pensar sobre a relação entre tempo, consumo e as escolhas feitas no presente.
Reaproveitamento dos materiais é apenas uma das provocações da exposição. – Foto: assessoriaCom o tema “Sentir, conectar e transformar a vida no trânsito do viver”, a mostra combina instalações, esculturas, arte digital, tecnologia e experiências sensoriais.
Para a curadora Linda Benítez, refletir sobre o tempo também significa pensar em sustentabilidade.
“Só podemos seguir adiante se refletirmos sobre o que estamos fazendo com o nosso tempo: o tempo do consumo, da pressa, do trânsito e da falta de percepção de olharmos para nós mesmos”, explica.
Linda também é responsável pela obra ‘O Pulso do Tempo‘ e define o espaço criado para a exposição como uma espécie de praça de reflexão, em que o público pode observar as obras e pensar sobre hábitos cotidianos sem que a proposta seja apontar culpados.
Ao todo, cerca de 120 profissionais criativos participaram do desenvolvimento da mostra.
Arte que muda com o ambiente
O percurso é dividido em seis estações e também utiliza recursos tecnológicos para ampliar a experiência do visitante.
Uma das instalações é a Cascata do Tempo, formada por painéis de LED que mudam de cor de acordo com a temperatura registrada na área externa do prédio.
Instalação é formada por cerca de 80 quilos de resíduos plásticos. – Foto: AssessoriaA exposição tem direção criativa e curadoria de Linda Benítez, da Desenquadra – Conceitos e Ideias, conteúdo interativo e tecnologia de Dado França, gestão e coordenação técnica de Lisiane Wirtti, cenografia de Rosângela Martins; e produção audiovisual da UAU Produções.
Segundo Flávio Carvalho, a intenção é que a experiência vá além do impacto visual.
“As pessoas vão se encantar com a estética, com as cores e com a energia que ele produz. Que os visitantes saiam da exposição inspirados, não somente pelas obras, mas pelas perguntas que elas provocam”, afirma.
No fim, a proposta é justamente inverter a lógica do descarte: aquilo que perdeu sua função original deixa de ser apenas resíduo e passa a ocupar espaço como arte — e também como pergunta sobre o que fazemos com aquilo que consumimos.

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