Mato Grosso prende um agressor a cada 100 minutos em operação Em 76 dias, Operação Mulher Segura chegou a 1.097 prisões; mais de 11 mil mulheres já solicitaram medidas protetivas
A cada aproximadamente 100 minutos, um homem acusado de violência contra a mulher foi preso em Mato Grosso, desde o início da Operação Mulher Segura.
Em 76 dias de atuação, a força-tarefa chegou a 1.097 prisões, um retrato da dimensão da violência doméstica no Estado e também da intensificação da resposta policial aos agressores.
São, em média, 14,4 prisões por dia.
Do total, 967 ocorreram em flagrante e mais de 130 decorreram de mandados de prisão preventiva.
A operação começou em junho e continuará até dezembro, com ações de repressão e prevenção em diferentes municípios.

Os números foram apresentados pela delegada Judá Marcondes, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá.
Segundo ela, uma parcela importante das prisões está relacionada a lesão corporal e ao descumprimento de medidas protetivas.
A estatística das prisões encontra paralelo em outro indicador: a quantidade de mulheres que recorrem à Justiça para tentar impedir que a violência continue.
Somente até 10 de agosto deste ano, 11.454 pedidos de medidas protetivas de urgência haviam sido registrados em Mato Grosso, conforme dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público Estadual.
Em todo o ano passado, foram 18.273 solicitações.
Mantido apenas como referência matemática o ritmo médio observado até 10 de agosto, Mato Grosso registra aproximadamente 52 pedidos de proteção judicial por dia em 2026 — mais de dois por hora.
As medidas protetivas podem estabelecer restrições como proibição de aproximação e contato com a vítima.
O descumprimento da ordem judicial pode resultar em prisão.
Segundo Judá, a reação rápida da mulher quando o agressor viola as restrições é fundamental para evitar a escalada da violência.
Os registros atendidos pela Polícia Civil são liderados por lesão corporal e ameaça, além da violência psicológica.
A delegada chama a atenção também para comportamentos que durante anos foram naturalizados dentro de relacionamentos, entre eles ciúme excessivo, controle sobre a companheira e atitudes destinadas a diminuir sua autoestima.
A existência de uma ordem judicial, entretanto, não significa necessariamente o fim do risco.
Um episódio registrado nesta semana pela Delegacia da Mulher exemplifica o problema.
Um homem que já havia sido preso preventivamente por violência doméstica passou aproximadamente três meses na prisão. Ao ganhar liberdade, foi submetido ao monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Segundo a delegada Liliane Diogo, ele voltou a procurar a vítima e passou a pressioná-la para retirar a medida protetiva.
Na quinta-feira (13), enquanto a mulher estava dentro da própria Delegacia da Mulher procurando orientação, recebeu uma ligação do suspeito, que novamente teria feito ameaças para obrigá-la a desistir da proteção judicial.
Os policiais foram imediatamente até o local onde o homem se encontrava e efetuaram a prisão. Posteriormente, a prisão preventiva foi decretada.
Para a Polícia Civil, episódios como esse demonstram a importância de comunicar qualquer descumprimento, mesmo quando aparentemente se limita a telefonemas, mensagens ou tentativas de aproximação.
O enfrentamento também passou a mirar um elemento capaz de tornar ainda mais grave a ameaça dentro de casa: a presença de armas de fogo.
REDUÇÃO DO RISCO - Polícia retira até armas legais de investigados
A Polícia Civil intensificou a retirada de armas das residências de homens investigados por violência doméstica em Mato Grosso.
A estratégia inclui inclusive armamentos que possuem registro regular.
Durante o “Dia D” da Operação Mulher Segura, realizado na sexta-feira (14), policiais da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher cumpriram 10 mandados de busca e apreensão. Nove tinham como objetivo a localização de armas.
Foram apreendidas quatro armas de fogo.
Em um dos endereços, segundo a polícia, o armamento estava irregular e o investigado acabou preso em flagrante. Em outros dois locais foram encontradas armas legalmente registradas.
O fato de a arma estar regularizada não impede sua retirada.
Segundo a delegada Liliane Diogo, a legislação permite que a Justiça suspenda registro ou porte quando existe situação de violência doméstica e familiar.
A apreensão depende de autorização judicial e busca reduzir a possibilidade de novos episódios contra a vítima.
As buscas também alcançam celulares e outros equipamentos eletrônicos.
A polícia procura nesses aparelhos possíveis registros de agressões, ameaças, fotografias íntimas e conteúdos que possam ter sido utilizados para constranger ou chantagear as vítimas.
MEDIDA PROTETIVA - Mais de 11 mil mulheres já pediram proteção neste ano
Mato Grosso registrou 11.454 solicitações de medidas protetivas de urgência até 10 de agosto de 2026, segundo dados do Observatório Caliandra.
Em 2025 foram 18.273 pedidos.
Os números mostram que, em média, neste ano: 52 pedidos por dia; 2,2 pedidos por hora; 1 pedido a cada 28 minutos.
A delegada Judá Marcondes defende que a mulher procure ajuda já nos primeiros sinais de violência e não espere a ocorrência de uma agressão mais grave.
A preocupação das autoridades está também nos comportamentos que antecedem a violência física.
Ameaças, perseguição, controle excessivo e violência psicológica aparecem entre as situações atendidas pelas unidades especializadas.
A Operação Mulher Segura continuará até dezembro e prevê prisões de agressores, cumprimento de medidas protetivas, apreensão de armas e atividades de prevenção.

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