MT registra 4ª maior taxa de internação de crianças no país São 3.459 hospitalizações de crianças e adolescentes de até 14 anos em 2025; quedas e queimaduras são 73%
Mato Grosso registrou 3.459 internações de crianças e adolescentes de zero a 14 anos por acidentes não intencionais, em 2025, o equivalente a uma média de quase dez hospitalizações por dia.
Com taxa de 95 internações para cada 100 mil habitantes, o Estado aparece com o quarto maior índice do país.
Os dados são do DataSUS e foram compilados pelo Projeto Criança Segura, da organização não governamental Aldeias Infantis SOS.
O levantamento considera ocorrências como quedas, queimaduras, acidentes de trânsito, intoxicações, sufocações e afogamentos, entre outras causas.

O dado ganha maior relevância porque, segundo a organização, mais de 90% dos acidentes envolvendo crianças podem ser evitados com medidas de prevenção, adequação dos ambientes e supervisão dos responsáveis.
Em Mato Grosso, a média registrada no ano passado foi de 288 hospitalizações por mês.
Entre as causas, duas concentram a maior parte dos atendimentos: quedas e queimaduras.
As quedas provocaram 1.463 internações, o equivalente a 42,3% de todas as hospitalizações registradas no Estado.
Na sequência aparecem as queimaduras, com 1.073 casos, ou 31%.
Somadas, as duas causas levaram 2.536 crianças e adolescentes aos hospitais, correspondendo a aproximadamente 73% de todas as internações por acidentes não intencionais em Mato Grosso.
TRÂNSITO É TERCEIRA CAUSA - Os acidentes de trânsito aparecem na terceira posição, com 373 internações de crianças e adolescentes.
Também foram contabilizadas 70 hospitalizações por intoxicação, 30 por sufocação e cinco por afogamento.
Outras modalidades de acidentes responderam por 445 internações.
Os números colocam Mato Grosso entre os estados com maior incidência proporcional de hospitalizações dessa natureza.
O Pará lidera o ranking nacional, com taxa de 120 internações para cada 100 mil habitantes, seguido por Tocantins, com 113, e Maranhão, com 102.
Mato Grosso aparece logo depois, com 95.
No outro extremo estão Rio de Janeiro, com 43 internações por 100 mil habitantes, Rio Grande do Norte, com 39, e Sergipe, com 13.
Quando são considerados os números absolutos, porém, o cenário muda em razão das diferenças populacionais entre os estados.
São Paulo teve 19.837 hospitalizações, Minas Gerais, 12.183, e Paraná, 10.708.
128 MIL INTERNAÇÕES NO PAÍS - Em todo o Brasil, mais de 1,6 milhão de pessoas, considerando todas as idades, foram hospitalizadas em decorrência de acidentes no ano passado.
Crianças e adolescentes de até 14 anos responderam por aproximadamente 162 mil internações, ou 9,7% do total.
Dentro das categorias de lesões não intencionais acompanhadas pelo Projeto Criança Segura, foram 128.466 hospitalizações.
Para a organização, os números demonstram a necessidade de ampliar políticas de prevenção tanto dentro das residências quanto nos espaços de convivência, escolas, ruas e ambientes de lazer.
Além das hospitalizações, acidentes dessa natureza podem provocar sequelas permanentes e mortes, o que reforça a necessidade de agir antes que a ocorrência aconteça.
PREVENÇÃO COMEÇA DENTRO DE CASA - Boa parte das medidas defendidas pelos especialistas não depende de intervenções complexas.
Durante o lançamento do relatório, a cirurgiã pediátrica Simone de Campos Vieira Abib destacou que cuidados cotidianos podem reduzir a exposição das crianças aos riscos nos diferentes ambientes em que vivem, brincam e circulam.
Entre as medidas estão proteger tomadas, guardar medicamentos e produtos de limpeza em locais seguros e fora do alcance das crianças e identificar antecipadamente situações de risco dentro das residências.
“É função de todos a construção de ambientes acolhedores e amorosos, mas acima de tudo, seguros para o desenvolvimento das crianças”, afirmou.
O Projeto Criança Segura defende ainda campanhas educativas, adaptação dos ambientes e maior atenção dos responsáveis.
Para a entidade, transformar a prevenção em uma prática permanente é fundamental para reduzir internações, sequelas e mortes por acidentes que, em sua grande maioria, poderiam ser evitados.

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