Tomate sobe 29% e pressiona custo dos alimentos em Cuiabá Preço médio dos mantimentos chega a R$ 859,34 na 1ª semana de setembro, com alta de 2,17% em sete dias
O cuiabano voltou a encontrar a cesta básica mais cara na primeira semana de setembro.
Depois de oscilações registradas nos últimos levantamentos, o conjunto de alimentos essenciais apresentou alta de 2,17% em apenas uma semana e atingiu o valor médio de R$ 859,34 na Capital.
A pressão veio principalmente dos produtos agrícolas mais dependentes da colheita e das condições climáticas.
O tomate foi o destaque: subiu 29,19% em uma semana, enquanto a batata ficou 10,04% mais cara.
Os dados são do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).

O levantamento mostra que a alta não se restringe à comparação semanal.
O custo atual está 7,88% acima dos R$ 796,58 registrados no mesmo período do ano passado.
Em valores nominais, isso significa que a mesma cesta está R$ 62,76 mais cara do que há um ano.
TOMATE CHEGA A R$ 9,01 O KG - O tomate foi o produto que mais pressionou o levantamento desta semana.
Com aumento de 29,19%, o preço médio chegou a R$ 9,01 por quilo.
Segundo o IPF-MT, a variação pode estar relacionada às chuvas registradas em algumas regiões produtoras.
O excesso de umidade interfere tanto no ritmo da colheita quanto na qualidade dos frutos disponíveis para comercialização.
A combinação reduz a oferta em um produto que possui menor capacidade de armazenamento e, consequentemente, responde rapidamente a alterações entre produção e demanda.
A batata apresentou comportamento semelhante. O preço médio avançou 10,04%, chegando a R$ 5,55 o quilo.
Também nesse caso, o instituto relaciona o movimento às chuvas nas principais regiões produtoras.
As condições climáticas afetaram o cronograma de colheita e reduziram a quantidade ofertada ao mercado.
Os dois produtos ajudam a explicar por que a cesta voltou a subir mesmo com a redução observada em outros itens importantes.
CLIMA PRODUZ EFEITOS DIFERENTES - O levantamento chama atenção para outro aspecto: a chuva não produz necessariamente o mesmo efeito sobre todos os alimentos.
Enquanto tomate e batata ficaram mais caros, o café apresentou queda.
O preço médio do produto recuou 3,55% na semana, para R$ 27,62 o pacote de 500 gramas.
Segundo a análise do IPF-MT, as chuvas afetaram a qualidade dos grãos e contribuíram para uma redução da procura, ao mesmo tempo em que os estoques permanecem elevados nos mercados doméstico e internacional.
A diferença ajuda a mostrar o peso da capacidade de armazenamento na formação dos preços.
Produtos perecíveis e dependentes da oferta imediata, como tomate e batata, tendem a reagir mais rapidamente a problemas na colheita.
Produtos que podem permanecer estocados possuem uma margem maior para absorver oscilações momentâneas da produção.
Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, o comportamento observado neste início de setembro evidencia justamente essa diferença.
“A dinâmica observada no início de setembro reforça a importância dos estoques como mecanismo de amortecimento dos choques de oferta, como ocorreu com o café, enquanto produtos mais dependentes da colheita imediata apresentam maior sensibilidade às condições climáticas”, afirmou.
FARINHA TAMBÉM FICA MAIS BARATA - Outro item que ajudou a conter uma alta ainda maior da cesta básica foi a farinha de trigo.
O produto apresentou redução semanal de 0,89%, passando para o preço médio de R$ 5,15 por quilo.
Conforme o levantamento, mesmo diante das preocupações relacionadas às lavouras e às importações, estoques elevados e questões relacionadas à qualidade do produto podem ter contribuído para a redução.
O movimento de café e farinha, contudo, não foi suficiente para neutralizar o avanço dos demais produtos, especialmente do tomate e da batata.
R$ 62,75 MAIS CARA EM UM ANO - A comparação anual mostra que a pressão sobre o orçamento das famílias permanece.
Na primeira semana de setembro de 2025, a cesta pesquisada pelo IPF-MT custava R$ 796,58. Agora está em R$ 859,34.
A diferença de R$ 62,76 representa crescimento de 7,88% em 12 meses.
O percentual anual é mais de três vezes a variação registrada apenas nesta semana, indicando que o consumidor acumula aumentos que vão além das oscilações pontuais dos hortifrutigranjeiros.
A evolução dos próximos levantamentos deverá mostrar se o salto observado no tomate e na batata será temporário, com a normalização da oferta, ou se os efeitos climáticos continuarão pressionando o preço da alimentação em Cuiabá.

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