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Segunda - 21 de Setembro de 2026 às 08:15
Por: Marcos Lemos/Diário de Cuiabá

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A proximidade das eleições e a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto levaram as principais campanhas ao Governo de Mato Grosso a intensificar reuniões e recalcular as estratégias para as duas últimas semanas antes da votação de 4 de outubro.

No centro das atenções está uma possibilidade inédita desde a adoção das atuais regras eleitorais: Mato Grosso poderá ter, pela primeira vez, uma eleição para governador decidida em segundo turno.

Desde 1990, quando Jayme Campos venceu a disputa pelo Palácio Paiaguás com 66,85% dos votos válidos, todas as eleições estaduais seguintes foram resolvidas já na primeira votação. A sequência inclui os pleitos de 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.

Portanto, mais do que um tabu de 36 anos, Mato Grosso nunca realizou um segundo turno para governador desde que essa possibilidade passou a existir na Constituição de 1988. A regra estabelece que, para ser eleito governador no primeiro turno, o candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Caso isso não aconteça, os dois mais votados voltam às urnas. A cronologia eleitoral do TRE-MT confirma que todas as disputas estaduais para governador foram encerradas no primeiro turno.

Esse histórico ajuda a explicar por que as pesquisas que serão divulgadas na reta final passaram a ocupar papel central no planejamento das campanhas.

Os levantamentos disponíveis até agora, porém, mostram diferenças importantes entre institutos e metodologias e não permitem tratar a realização de um segundo turno como definida.

PIVETTA AVANÇA NO PARANÁ

A pesquisa mais recente do Paraná Pesquisas, divulgada na sexta-feira (18), colocou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, com 42,4% das intenções de voto.

Wellington Fagundes (PL) aparece com 29,6%, enquanto Natasha Slhessarenko (PSD) registra 13,5%. Sargento Laudicério (Agir) tem 0,8%, e Maurício Coelho (Mobiliza) e Rafaell Milas (Missão), 0,4% cada. Brancos, nulos ou nenhum somam 7,1%.

O levantamento ouviu 1.352 eleitores entre os dias 15 e 17 de setembro e tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais.

Os números representam avanço de Pivetta dentro da série do próprio instituto. Na rodada anterior, divulgada em 9 de setembro, o governador tinha 40,8%, Wellington, 30%, e Natasha, 12%.

Para a campanha governista, a reta final passa, assim, pela tentativa de ampliar a votação necessária para encerrar a disputa em 4 de outubro.

OUTROS INSTITUTOS MOSTRAM DISPUTA MAIS APERTADA

O cenário muda quando são considerados levantamentos de outros institutos.

Pesquisa AtlasIntel realizada entre 4 e 9 de setembro apontou Wellington com 34,4%, Pivetta com 30,8% e Natasha com 23,2%. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que colocava os dois primeiros tecnicamente empatados naquele levantamento.

Já a Real Time Big Data, em pesquisa divulgada em 3 de setembro, registrou Wellington com 34%, Pivetta com 27% e Natasha com 13%.

A primeira rodada da Quaest em Mato Grosso, divulgada em agosto, também mostrou equilíbrio: Wellington tinha 27%, contra 23% de Pivetta, diferença dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Natasha aparecia com 8%. Naquela pesquisa, brancos, nulos ou nenhum candidato representavam 29% e os indecisos, 8%.

As diferenças entre os levantamentos precisam ser analisadas considerando datas de campo, amostras e metodologias distintas. Pesquisas eleitorais retratam a intenção de voto no momento em que as entrevistas são realizadas e não constituem previsão do resultado das urnas.

MT DADOS PREPARA NOVA RODADA

Outro levantamento acompanhado pelas campanhas é o da MT Dados, que utiliza metodologia híbrida, combinando entrevistas presenciais e coleta pela internet.

Na terceira rodada do instituto, realizada entre 15 e 20 de agosto, Pivetta e Wellington apareciam numericamente empatados, ambos com 27%. Natasha registrava 12%. O dado de maior peso naquele levantamento estava entre os eleitores que ainda não tinham candidato: 24% se declaravam indecisos.

A pesquisa teve 3.080 entrevistas em sete regiões do Estado, margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número MT-04390/2026.

Uma nova rodada do instituto é aguardada nesta semana e servirá para mostrar se houve alteração no quadro registrado em agosto.

ESTRATÉGIAS DIFERENTES

Os números ajudam a explicar estratégias distintas nesta reta final.

Pivetta tenta transformar a vantagem registrada pelo Paraná Pesquisas em votos suficientes para alcançar maioria absoluta dos votos válidos. A campanha do governador deverá intensificar agendas e mobilização política em busca de uma definição ainda no primeiro turno.

Wellington, por sua vez, busca recuperar terreno onde aparece atrás e preservar o desempenho apontado por pesquisas nas quais está numericamente à frente ou em empate técnico com o governador.

Natasha procura ampliar sua participação na disputa. A candidata do PSD aparece em terceiro lugar nos levantamentos recentes, mas com percentuais que variam significativamente entre os institutos: 13,5% no Paraná Pesquisas e 23,2% na AtlasIntel, por exemplo.

A médica sustenta que ainda existe espaço para crescimento e aposta no corpo a corpo e na tentativa de se apresentar como alternativa à disputa entre Pivetta e Wellington.

Com metodologias diferentes e resultados que ainda não apontam na mesma direção, as próximas pesquisas ganharão peso no planejamento das campanhas. Mais do que indicar quem está à frente em determinado momento, elas serão usadas pelos grupos políticos para identificar onde concentrar agendas, comunicação e mobilização nos últimos dias.

O dado histórico, entretanto, está posto: desde 1990, Mato Grosso realizou nove eleições consecutivas para governador e resolveu todas no primeiro turno. Se nenhum candidato superar a metade dos votos válidos em 4 de outubro, o Estado irá às urnas novamente para escolher o governador — quebrando uma sequência que atravessa toda a história eleitoral mato-grossense sob a Constituição de 1988





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