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Economia
Terça - 22 de Setembro de 2026 às 07:42
Por: Gustavo Oliveira/Diário de Cuiabá

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Terminal ferroviário da Rumo em Rondonópolis, em Mato Grosso
Terminal ferroviário da Rumo em Rondonópolis, em Mato Grosso

Projetos considerados estratégicos para reduzir o custo logístico de Mato Grosso estão entre as concessões de infraestrutura prometidas pelo governo federal para 2026 que não conseguiram avançar até o leilão. A carteira nacional que ficará para 2027 ou anos seguintes reúne pelo menos R$ 204 bilhões em investimentos previstos, envolvendo ferrovias, rodovias, portos e hidrovias.

O impacto para Mato Grosso está concentrado principalmente nos projetos ferroviários e hidroviários. A agenda inclui a tentativa de destravar a Ferrogrão (EF-170) e as concessões das hidrovias dos rios Paraguai e Tapajós, corredores diretamente relacionados ao escoamento da produção do Estado.

O adiamento ocorre em um momento em que Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, busca ampliar alternativas aos corredores rodoviários utilizados para transportar soja, milho, algodão e outras cargas até os portos.

Segundo levantamento da Folhapress, somente no setor ferroviário os projetos que passarão para o próximo mandato presidencial somam R$ 154,9 bilhões em investimentos previstos. Dos oito leilões que estavam nos planos do Ministério dos Transportes, apenas um deve ser realizado ainda em 2026.

FERROGRÃO SEGUE SEM DATA - Entre os projetos de maior interesse para Mato Grosso está a Ferrogrão. A ferrovia foi concebida para ligar a região produtora do Centro-Oeste ao corredor logístico do Norte, acompanhando o eixo da BR-163 e ampliando a capacidade de transporte de cargas em direção aos terminais do Arco Norte.

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o governo pretende resolver ainda neste ano o impasse envolvendo a Ferrogrão, que entrou em uma nova controvérsia relacionada ao pagamento dos estudos utilizados para embasar o empreendimento. Apesar disso, ainda não existe data definida para o leilão.

A situação da Ferrogrão faz parte de um quadro mais amplo de dificuldades para colocar as concessões ferroviárias no mercado.

Santoro afirmou que o governo optou por não acelerar artificialmente os processos. Segundo ele, a concessão ferroviária é complexa e exige modelagem, análise de viabilidade e tramitação pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa da pasta é publicar editais ainda em 2026 para que alguns leilões ocorram no início do próximo ano.

RIOS TAMBÉM FICAM PARA DEPOIS - Outro ponto especialmente relevante para Mato Grosso está nas hidrovias. No começo do ano, o Ministério de Portos e Aeroportos previa avançar com cinco concessões hidroviárias. Todas foram adiadas.

Uma delas é a hidrovia do Rio Paraguai, que deveria representar, ainda em 2026, o primeiro leilão de uma hidrovia federal no país. O projeto, porém, não chegou à licitação.

O corredor tem importância direta para Mato Grosso por atravessar a região do Pantanal e integrar a chamada Hidrovia Paraguai-Paraná.

Também ficou para depois a definição sobre a hidrovia do Tapajós, ligada à expansão do Arco Norte e ao fluxo de cargas originadas em Mato Grosso pela BR-163 em direção aos terminais paraenses.

Segundo o levantamento, os cronogramas dos projetos dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós foram alterados à medida que os estudos encontraram obstáculos técnicos, ambientais e jurídicos. No caso do Tapajós e do Tocantins, os projetos permanecem sem data para leilão.

Pelo modelo estudado pelo governo, concessionárias privadas passariam a responder por serviços como dragagem, sinalização, balizamento, monitoramento e manutenção dos canais navegáveis por meio de contratos de longo prazo.

R$ 204 BILHÕES ADIADOS - Os projetos relacionados a Mato Grosso integram uma carteira muito maior que será herdada pelo governo que assumir o país em 2027.

Somadas, as concessões que foram prometidas para 2026, mas acabaram adiadas, representam ao menos R$ 204 bilhões em investimentos previstos. O valor ainda pode aumentar porque há empreendimentos sem estimativas consolidadas e as concessões hidroviárias adiadas não estão incluídas nesse cálculo.

Nas rodovias, dos 13 leilões inicialmente programados para este ano, a expectativa caiu para sete. Projetos rodoviários com R$ 28,8 bilhões de investimentos previstos deverão atravessar a virada de mandato.

A situação é ainda mais acentuada nos portos. Dos 18 leilões anunciados para 2026, apenas três haviam ocorrido até setembro. Outros 15 continuavam pendentes, em diferentes estágios de consultas públicas, ajustes de estudos, análises regulatórias ou sem data definida.

Entre os fatores que contribuíram para os adiamentos estão suspensão de estudos, alterações de cronograma, concentração de projetos na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e dificuldades em processos analisados pelo TCU.

Apesar dos atrasos deste ano, o levantamento destaca que, entre 2023 e 2025, a atual gestão federal realizou 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos, segundo dados dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos.

Para Mato Grosso, entretanto, parte relevante da infraestrutura capaz de ampliar as alternativas de transporte da produção permanece na fila. Ferrogrão, Rio Paraguai e Tapajós atravessam 2026 sem leilão definido e transferem para o próximo mandato decisões sobre corredores logísticos considerados importantes para o Estado.





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