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Quarta - 07 de Outubro de 2026 às 12:36
Por: Marcos Lemos/Diário de Cuiabá

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Fora da próxima legislatura da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) atribui a derrota nas urnas a uma combinação de fatores que inclui o esvaziamento da chapa de seu grupo, a falta de recursos partidários, a divisão interna provocada pela eleição para o Governo e a força da onda bolsonarista em Mato Grosso.

Júlio esperava alcançar aproximadamente 40 mil votos no domingo (4), mas terminou a disputa com 18.517 votos e ficou como primeiro suplente da Federação União Progressista. O resultado representa uma redução expressiva em relação a 2022, quando conquistou o atual mandato com 33.800 votos.

“Infelizmente, o povo mato-grossense decidiu não me reeleger para um novo mandato. Não tive os votos suficientes. Eu fiz uma campanha para ter 40 mil votos e só consegui 18 mil e 500 e poucos votos”, afirmou.

Apesar de reconhecer a decisão das urnas, Júlio avalia que sua candidatura foi prejudicada por problemas políticos que começaram ainda na montagem da chapa proporcional.

CHAPA ESVAZIADA

Segundo o deputado, a Federação União Progressista entrou na eleição com apenas nove candidatos a deputado estadual e não conseguiu acumular votação suficiente para conquistar uma terceira cadeira na Assembleia.

Júlio citou como principais puxadores de votos da chapa Dilmar Dal Bosco, Sebastião Rezende, ele próprio e a vereadora Michelly Alencar. Na avaliação dele, o desempenho dos demais candidatos foi insuficiente para elevar a votação total da federação.

“Nós tivemos uma chapa bastante fraca. Nós tivemos apenas nove candidatos. Quatro candidatos razoavelmente votados foram o deputado Dilmar, o deputado Sebastião, o deputado Júlio Campos e a vereadora Michelle Alencar. Nós quatro fizemos cento e tantos mil votos, 120 mil votos, mas os demais cinco candidatos tiveram apenas 2.700 votos”, declarou.

O parlamentar responsabilizou diretamente o presidente estadual do União Brasil, Mauro Mendes, pelo que classificou como esvaziamento da nominata.

Segundo Júlio, políticos que poderiam reforçar a chapa deixaram a legenda às vésperas do prazo de filiação e concorreram por outras siglas.

“O presidente do partido, Mauro Mendes, esvaziou a nossa chapa de deputado estadual. Os filiados nossos, Alain Porto, Gilberto Trigueiro, Wagner Ramos e tantos outros que foram candidatos por outros partidos deixaram a União Brasil no último dia e se filiaram a outro partido”, criticou.

DIVISÃO NO GOVERNO

Outro problema, na avaliação de Júlio, foi a divisão interna do União Brasil na eleição para governador. Ele acompanhou o irmão, senador Jayme Campos, no apoio ao candidato Wellington Fagundes (PL), enquanto outra ala da legenda se alinhou à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos).

Júlio afirmou que a decisão foi tomada por lealdade ao irmão, depois que Jayme não conseguiu viabilizar sua candidatura ao Governo.

A escolha, porém, teria colocado o deputado em uma situação eleitoral difícil: estava formalmente no grupo de Wellington, mas, segundo sua avaliação, não encontrou uma campanha estadual suficientemente estruturada para impulsionar os candidatos proporcionais. Ao mesmo tempo, não tinha espaço no palanque de Pivetta.

“Ele não fez campanha, não colocou a candidatura na rua. Foi candidato apenas representando o PL, mas sem nenhum entusiasmo. Praticamente no interior não existia a campanha do Wellington Fagundes”, afirmou.

ONDA BOLSONARISTA

Júlio também relacionou o resultado à força eleitoral do bolsonarismo no Estado, que, segundo ele, favoreceu candidatos identificados com o PL e modificou a distribuição dos votos nas disputas proporcionais.

Como exemplo, citou o desempenho de Coronel Fernanda (PL), que alcançou 205.064 votos na eleição para deputada federal e terminou como a candidata mais votada de Mato Grosso para a Câmara.

“A onda do radicalismo foi muito grande em Mato Grosso, tanto é que o PL deu uma votação estupenda para pessoas que nem acreditavam”, avaliou.

SEM FUNDO PARTIDÁRIO

A falta de dinheiro para financiar a campanha é outro ponto citado pelo deputado. Júlio afirma ter sido o único candidato de seu partido a não receber recursos do fundo partidário.

“Eu fui o único político da União Partidária que não recebeu fundo partidário. Fui cortado do fundo partidário. Vocês podem olhar a minha apreciação de conta, não entrou um centavo”, declarou.

Segundo ele, a campanha acabou sendo bancada com recursos próprios e contribuições de familiares e amigos, enquanto concorrentes dispunham de estruturas financeiras maiores.

“A minha campanha foi uma campanha extremamente humilde, dentro dos recursos que eu tinha, através do meu recurso próprio e da doação que recebi de familiares e amigos que fizeram a contribuição”, disse.

“A LUTA CONTINUA”

Prestes a completar 80 anos, Júlio Campos afirma que a derrota eleitoral não significa sua saída da vida política. O deputado disse que pretende continuar participando das discussões sobre Mato Grosso mesmo sem mandato a partir da próxima legislatura.

“O que interessa é que Deus está me protegendo, estou aqui, com saúde, prestes a completar 80 anos, com inteligência, com entusiasmo, com pique, e a luta continua. Vamos continuar ajudando Mato Grosso”, afirmou.

Ao fazer um balanço do mandato, Júlio destacou a participação nas sessões, a passagem pela presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e sua atuação na Mesa Diretora da Assembleia.

“O que interessa é que cumpri bem o meu mandato. Vocês da imprensa são testemunhas da minha lealdade com o Parlamento Estadual. Trabalhei todos os dias, fui parlamentar aqui, não tive nenhuma falta, compareci em toda sessão”, concluiu.





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