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Nacional
Quarta - 28 de Março de 2012 às 05:42
Por: Paulo Saldaña

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O programa Ciências Sem Fronteiras, aposta da presidente Dilma Rousseff para a formação de pesquisadores, tem atrasado o repasse do dinheiro para bolsistas no exterior.

 

Um estudante brasileiro no Canadá, por exemplo, não recebeu a bolsa referente a dois meses e já teve de pedir dinheiro emprestado. Apesar de confirmar alguns atrasos, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um dos responsáveis pelo programa, diz não saber quantos alunos estão sem receber.

Estudante do 3.º ano de Engenharia no Mackenzie, João Paulo Catanoce, de 26 anos, chegou no dia 12 de fevereiro a Vancouver, no Canadá, para fazer parte de sua graduação na conceituada Universidade da Colúmbia Britânica. Ainda no Brasil, recebeu o suficiente para comprar a passagem, mais uma quantia para plano de saúde, ajuda de custo e auxílio-moradia. Tudo referente ao primeiro mês, o de fevereiro. Dois dias depois de se instalar, encaminhou a prestação de contas dos gastos para e-mail do programa, esperando o crédito referente a março e abril - o que não ocorreu.

"É constrangedor passar por isso, ainda mais em um país onde todo mundo paga as contas em dia. Passa uma má impressão do Brasil." A previsão é de que ele receba só em meados de abril.

As regras do pagamento das bolsas são claras nesse sentido. O pagamento é trimestral e o benefício dos meses de fevereiro, março e abril deveria ter sido pago em janeiro. "O problema maior é o aluguel, porque para comer eu acabo me virando."

Sem o repasse, o estudante atrasou o aluguel por duas semanas. Só depois de pedir dinheiro emprestado ele conseguiu quitar os 800 dólares canadenses da dívida. Quem o ajudou foi um professor do laboratório de mineração em que estuda - fora o gasto com alimentação, ele paga 81 dólares canadenses mensais de transporte. "O professor entendeu e me emprestou. Não sei o que vou fazer se não depositarem logo."

Erro. O CNPq confirmou a falha e prometeu fazer o depósito só no dia 15 de abril - com valores referentes a março, abril e três meses seguintes. Até lá, Catanoce não tem ideia de como vai arcar com as contas. "Informei ao CNPq que teria de pagar o aluguel e recebi um e-mail dizendo que o gasto do aluno é problema do aluno."

Segundo o CNPq, houve um erro no sistema de registro dos bolsistas, por causa do grande volume de beneficiados. Os outros casos de atrasos teriam o mesmo motivo.

O estudante diz que a universidade sabe do seu caso e não quer mais aceitar bolsistas do programa. Orientador de Catanoce, o brasileiro Marcello Veiga está há 20 anos no Canadá. "Aqui ninguém sabe o que é o Ciências Sem Fronteiras, portanto, o estudante assiste às aulas clandestinamente".

Falta de contato. O bolsista demorou um mês para conseguir uma explicação sobre seu caso. Não houve reposta e e-mails ficaram inativos sem aviso. "Primeiro ninguém responde, depois ninguém sabe de nada."

Só soube no meio deste mês, após ajuda de bolsistas de outros países, que o endereço eletrônico que tinha estava desativado. "Nas respostas, parece que dizem: ‘Fique feliz por participar’". Por meio da assessoria de imprensa, o CNPq informou que o programa é novo e "precisa melhorar".

Cerca de 11 mil pesquisadores brasileiros estão no exterior com bolsa do Ciência Sem Fronteiras e outros 9 mil devem chegar até o fim do ano.
 






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