Dívidas das províncias e cidades chinesas ameaçam os bancos
Apesar do baixo endividamento do governo chinês, as províncias e os municípios do país têm pedido infindáveis volumes de créditos, destinados à construção de rodovias, aeroportos e hospitais, pondo em risco a saúde do sistema financeiro, dizem analistas.
Seus créditos estão penhorados sobre vendas de terrenos em detrimento dos habitantes, que se dizem explorados, e às vezes inclusive se revoltam como no mês passado em Wukan, em Guangdong (sul).
As finanças do governo central, por suz vez, não preocupam os economistas.
"O governo [chinês] têm muito menos dúvidas que os países desenvolvidos, por isso a preocupação sobre uma crise da dívida na China é infundada", afirmou o vice-presidente do Banco Mundial, Lin Yifu, em uma recente entrevista ao China Daily.
A dívida do Estado emitida pelo banco central chinês superou, no final de 2010, 17,1% do Produto Interno Bruto (PIB), e foi de 30% com o Banco de Desenvolvimento chinês, que financia as infraestruturas.
Em troca, os empréstimos das províncias e dos municípios se elevaram 1,300 bilhão de euros ao final de 2010, 27% do PIB, segundo um relatório preocupante publicado ao final de junho pela Oficina Nacional para as Auditorias.
DÍVIDA PÚBLICA
Ao todo, a dívida pública --central e local-- da China se elevou a 68% do PIB, segundo um estudo do banco Standard Chartered em Hong Kong, o que é inferior à média europeia.
O problema é das comunidades locais que para reembolsar a dívida contam com a renda gerada pelas infraestruturas, muitas delas pouco rentáveis.
Alguns projetos como rodovias ou hospitais "são de interesse econômico, mas não são viáveis comercialmente" e precisam ser financiadas com dinheiro do contribuinte, explicou à AFP Patrick Chovanec, professor de economia da Universidade Tsinghua de Pequim.
"No conjunto da economia, as dívidas aumentam rapidamente, o que debilita o sistema bancário", diz Michael Pettis, especialista de mercados financeiros chineses na Universidade de Pequim.
Contudo, "toda tentativa de controlar esse aumento [da dívida] será traduzido em uma redução rápida do investimento e do crescimento" na China, completa.
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