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Opinião
Sexta - 16 de Abril de 2021 às 06:37
Por: José Pedro Rodrigues Gonçalves

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Antes, já tivemos a asfixia pela falta de oxigênio que matou muita gente em sofrimento atroz. Quando imaginamos, que esperança, que esse tipo de sofrimento já havia sido superado, eis que, outra vez, algo pior se apresenta no cenário pandêmico desta Pátria desalmada, comandada pelos que devo chamar de novos bárbaros.


Em 12 de agosto de 2020, o Ministério da Saúde cancelou a compra de kit intubação, sem dar explicações, segundo consta em documento denominado Recomendação 54, do Conselho Nacional de Saúde, emitido em 20 de agosto de 2020.


Pois é! Agora o País pede socorro porque os medicamentos que fazem parte desse kit estão praticamente esgotados e muitos doentes intubados, sem esses medicamentos estão passando pelo sofrimento de ter um tubo em sua traqueia, estando acordado, pela falta do remédio que garantiria que ele não sentisse nenhum desconforto.


Pense você, leitor. Imagine-se com um tubo em sua traqueia e para que ele pudesse garantir a sua vida, você precisaria estar contido, leia-se amarrado, no leito, pois o sofrimento é impensável. Imaginou? Mesmo assim o seu sofrimento é nada perto do que isso representa na prática para quem vive essa situação. Culpa de quem? Certamente não é sua. Então devemos questionar o Ministério da Saúde, de saudosa memória, por que, então, cancelou aquela compra?
Será que foi para economizar recursos financeiros, ou para guardar dinheiro com a morte de tanta gente?

Pense você, leitor. Imagine-se com um tubo em sua traqueia e para que ele pudesse garantir a sua vida, você precisaria estar contido, leia-se amarrado, no leito, pois o sofrimento é impensável

Que horror! Pavor inigualável, condenável, insuportável, mas real para esse pobres sofredores contaminados pelo coronavírus e com os pulmões tomados pela doença que asfixia. Na agonia indescritível, toda hora, todo dia, sem ter descanso no sofrer incomensurável causado pela falta de remédio que o alivie. Fez-me lembrar de Castro Alves em seu Navio Negreiro: Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus,/ Se eu deliro... ou se é verdade / Tanto horror perante os céus?!...


Não estamos em um navio negreiro, mas estamos em um negro período de nossa história, onde a suposta glória de um provável escravocrata contemporâneo, que não agrilhoa com correntes, mas ameaça com fuzis que deseja distribuir para um tal povo que o acompanha em sua sanha desmedida de lutar contra uma fantasiosa investida de algum moinho de vento contra sua (dele) liberdade de governar. E nessa fantasia, esse avesso de Quixote, passa seus dias a espalhar terror.


Ah! Que sofrimento, que tristeza; agonia é o sentimento que nos toma dia a dia, sem descanso e a cada dia mais se acelera na quimérica esperança de uma tal vacina, que foi rejeitada só por ser da China, mas é única que nos salva nesta hora, onde a Caixa de Pandora foi aberta em uma hora tão incerta.


Enquanto isso, ali ao lado, no Congresso discute-se, ainda, um eternamente ainda, se compramos vacina ou continuamos esperando aquele estetoscópio ambulante a perambular sem saber aonde chegar, pois não sabe para onde ir, tentando convencer que só vacina é que resolverá. O Planeta todo, tomado de perplexidade, assiste temeroso a nossa incapacidade de controlar a pandemia, algo que, para muitos, não passa de uma nova fantasia para derrubar o plenipotenciário em seu itinerário de se assumir como monarca. Príncipes, já os tem.


E o sofrimento atroz só continua, na desventura de eunucos morais que não respeitam a distância que nos livra desse vírus, mas como eunucos não conseguem produzir sequer uma pensamento positivo e vivem como naus em tempestade a perambular em bandos em nossas cidades espalhando doenças a vontade.


Estamos em plena barbárie, sem governo que controle a mortandade. Em vez disso, a espalha sem desfaçatez se arrogando ser o dono da verdade.


Penso naqueles que, sem anestésicos, sem analgésicos em sua intubação, sem relaxantes musculares e sem condição de ter alívio só por um momento. Nesse impiedoso sofrimento, familiares oram em plena devoção, na esperança de uma salvação, ou de, ao menos um conforto de alívio... e, nada disso acontece, restando somente suas preces, em genuflexo famílias permanecem.
O que fazer, além de orar, de sofrer e de esperar? Gritar aos quatro ventos pela nossa camaleônica justiça, que mais atende aos que não precisam e esquecendo dos que necessitam.


Ah! Brasil! Mas que desdita! Que maldição lhe foi prescrita?

José Pedro Rodrigues Gonçalves é médico cardiologista.



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