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Nacional
Quinta - 06 de Setembro de 2007 às 22:03

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SÃO PAULO - O coronel Barroso Magno, que comandou operações das tropas brasileiras na pacificação da região considerada pela ONU como a mais violenta do Haiti, Cité Soleil, explica como eram as operações e como seria uma eventual ação com a participação do Exército em um morro do Rio de Janeiro. Ele defende a integração entre todos os órgãos de segurança pública e a permanência dentro da área dos criminosos como fatores de sucesso.

- Com dados de inteligência, a primeira coisa é analisar a situação, identificar as áreas de maior interesse, qual são as áreas mais difíceis de se invadir e o local onde uma operação provocaria maior impacto psicológico sobre os bandidos e repercussão na sociedade. Estabelece-se, então, uma prioridade.

- Empenho militar: os combatentes precisam acreditar no que estão lutando, ter treinamento, determinação, comprometimento. "Não adianta dar o melhor equipamento se a tropa não é pegadora, não tem ânimo. Eles precisam ter aquele brilho no olhar".

- A ação, prioritariamente, ocorre durante a madrugada, quando as pessoas estão em casa dormindo, para evitar-se "danos colaterais": baixas e feridos inocentes.

- Escolhida a área, é realizado um planejamento de como será a operação. A primeira parte é o isolamento da área, impedindo a chegada de munição aos criminosos, fechando as vias de acesso. "Se chega arma pela Baía de Guanabara, a Marinha e a Polícia Federal fecham. Se chega pela avenida (Presidente) Dutra, a Polícia Rodoviária faz blitzes e pega. A idéia é sufocar os bandidos e deixá-los sem saída", diz o coronel.

- Depois do isolamento, cerca-se o morro de forma mais restrita: ninguém entra e ninguém sai sem ser revistado, negando aos bandidos a liberdade de ação. Acuados, eles sentem a pressão e reagem.

- A estratégia da operação é decidida com base nas informações sobre o terreno e o inimigo. Normalmente, é melhor descer o morro, pois se está combatendo em vantagem. Para isso, pode-se usar helicópteros para uma descida ou iludir os criminosos: enquanto alguns militares avançaram por um lado, outros vão por outro. A estratégia é ocupar o terreno, revistando casa a casa, sem pressa.

- Caçadores (snipers), atiradores que conseguem acertar um alvo a até 600 metros, são estrategicamente posicionados em locais altos: com visão ampla, eles avistam o inimigo, podendo eliminá-lo ou alertar os companheiros em terra. Se a distância é maior, os caçadores vão buscar o alvo com a luneta e tentam acertar o inimigo o mais próximo possível. Um tiro a alguns palmos ou metros de distância consegue aterrorizar o oponente, que fica perdido, sem saber de onde vem o perigo.

- Ação diversionária: incursões coordenadas simultâneas, iludindo os criminosos sobre a real intenção dos militares. "A gente tentava dar um drible, usava a ginga brasileira. Nunca fazia a mesma coisa, inovava sempre. Enquanto eles achavam que a gente queria algo e tentavam se defender, estávamos tomando um outro local. Quando os bandidos percebiam qual era realmente nossa intenção, já era tarde demais", lembra Barroso Magno.

- Instalação de pontos-fortes: prédios altos, utilizados até então pelos bandidos, tornam-se quartéis dos militares dentro da área. De 10 a 30 homens são colocados em cada ponto-forte. O objetivo é a permanência 24 horas por dia na área e o aumento contínuo da área de influência, com patrulhas.

- Ações de informação pública: divulgação dos resultados, mostrando para a população que há avanças, em busca de motivação e comprometimento de toda a sociedade na guerra contra o crime e pressão sobre os criminosos.

- Ações sociais: a população precisa perceber que algo está mudando no seu dia a dia. O que a comunidade precisa? No Haiti, as tropas distribuíam água, comida, jogava futebol, realizava aulas de esportes, línguas, artes. É a conquista de corações e mentes.




Fonte: Estadão

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