Estudo identifica quase 100 espécies de anfíbios e répteis em MT Levantamento mapeia anfíbios e répteis em MT em área de transição do Cerrado.
Uma pesquisa científica revelou a diversidade e os padrões de atividade de anfíbios e répteis no Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso, área estratégica para a conservação da fauna no Centro-Oeste.
Área do Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso, onde pesquisadores analisaram a fauna local. – Foto: Reprodução/EstudoO estudo foi realizado ao longo de 11 meses, entre 2022 e 2023, por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com apoio do Serviço Social do Comércio (Sesc), e publicado em dezembro do ano passado. O parque fica entre Nobres e Rosário Oeste, em uma região de transição ecológica, onde características do Cerrado se misturam ao Pantanal e a florestas secas.
Diversidade acima do esperado
Ao todo, os pesquisadores registraram 36 espécies de anfíbios e 63 de répteis, número que corresponde a cerca de 20% de toda a herpetofauna conhecida de Mato Grosso. Entre as espécies mais comuns estão a rã-quatro-olhos (Physalaemus nattereri) e o lagarto conhecido como calango-verde (Ameiva ameiva), frequentes em áreas abertas do Cerrado.
Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso, abriga diversidade de anfíbios e répteis do Cerrado. – Foto: Reprodução/EstudoO levantamento também identificou espécies raramente registradas, como o lagarto conhecido como calango-liso (Copeoglossum nigropunctatum) e a perereca-de-moldura (Dendropsophus elianeae). A presença do jacaré-do-papo-amarelo (Caiman crocodilus) reforça a importância ecológica da área e sua conexão com ambientes alagáveis.
Calango-liso integra a fauna de répteis identificada em área de transição do Cerrado no Parque Sesc Serra Azul. – Foto: Thibaud AronsonRegistro amplia área de ocorrência
Um dos achados mais relevantes do estudo foi o registro da serpente conhecida como falsa cobra coral (Apostolepis sanctaeritae). Antes conhecida apenas no leste do Cerrado, a espécie teve sua área de ocorrência ampliada em cerca de 360 quilômetros para oeste com o novo registro feito no parque.
Falsa-coral está entre as espécies de serpentes identificadas no Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso. – Foto: Frederico de AlcântaraPara os pesquisadores, a descoberta evidência o quanto a fauna da região ainda é pouco conhecida e reforça a importância de inventários em áreas de transição ambiental.
Chuvas ditam o ritmo da fauna
Os dados mostraram que os anfíbios são fortemente influenciados pela sazonalidade. A maior atividade ocorre durante o período chuvoso, quando acontece a reprodução. Na estação seca, a movimentação cai, aumentando a vulnerabilidade dessas espécies a secas prolongadas e eventos climáticos extremos.
Os répteis apresentaram um padrão diferente. Muitas espécies permaneceram ativas ao longo de todo o ano, tanto na seca quanto na chuva, graças à maior resistência à perda de água corporal.
Além das buscas em campo, o estudo contou com a participação de funcionários do parque, orientados a registrar animais durante a rotina de trabalho. Onze espécies foram identificadas exclusivamente por meio desses registros, ampliando a lista final e reforçando o papel da ciência cidadã na conservação.
Refúgio natural sob pressão
Apesar de protegido, o Parque Sesc Serra Azul enfrenta pressões crescentes do avanço agrícola, do aumento do fluxo turístico e das mudanças climáticas. Áreas de transição ecológica, segundo os pesquisadores, tendem a ser mais sensíveis a alterações ambientais.
O estudo aponta que o ecoturismo pode ser um aliado da conservação, desde que acompanhado de boas práticas, como evitar o manuseio de animais silvestres, respeitar trilhas e redobrar a atenção em estradas internas para reduzir atropelamentos.
Ao reunir dados inéditos sobre a fauna local, a pesquisa reforça o papel do Parque Sesc Serra Azul como refúgio estratégico da biodiversidade e como base para o monitoramento ambiental no Cerrado mato-grossense.

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