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Meio Ambiente
Quarta - 18 de Março de 2026 às 06:38
Por: Marcos Salesse/Primeira Página

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Moradores de regiões da maior planície alagada do mundo sofrem com a falta de água potável. Esse foi um dos contrastes identificados durante a 3ª Expedição Fluvial pelo Rio Cuiabá, finalizada na última terça-feira (13). Percorrendo cerca de 900 km, entre o rio Manso e o Pantanal, a ação identificou não só problemas diretamente no rio, mas também nas comunidades que vivem dele.

Essa realidade faz parte do cotidiano do pescador profissional e morador da comunidade Padilha, próximo ao município de Chapada dos Guimarães (MT), Adilson Mariano da Silva. Segundo o pescador, antes da barragem de Manso, era possível beber água das próprias nascentes da região.

Ribeirinhos PantanalAlguns desses moradores que vivem no Pantanal deixam de utilizar as águas do rio por conta de possível contaminação.- Fotos: Gilberto Leite/AL-MT
“Antes da construção dessa barragem a gente vivia tomando água das nascentes e hoje não temos mais nascentes, então ficou muito difícil. Hoje nós estamos comprando água de Cuiabá para poder beber”, disse o pescador durante coletiva de imprensa, realizada nesta terça-feira (17), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT)

Segundo representantes do Ministério Público do Estado (MPE), além da comunidade de Adilson, outras regiões ao longo da região pantaneira enfrentam uma situação parecida, entre elas estão: Estirão Comprido, Porto Brandão, Croará, Rancharia e Piúva, todas comunidades do município de Barão de Melgaço (MT). Há também o registro de falta de água potável em comunidades na região de Santo Antônio do Leverger (MT).

Especialistas avaliam que a falta do recurso hídrico acontece por diferentes razões, entre elas a poluição da água, falta de infraestrutura básica e diminuição significativa das superfícies de água, em especial no período de seca. Segundo o MapBiomas, em 2024, o Pantanal era o bioma com menor superfície de água no país: 366 mil hectares, sendo o que mais perdeu superfície de água em relação à média histórica.

“A gente percebeu que primeiro há uma redução significativa da superfície de água no Pantanal. E isso reflete obviamente na qualidade de vida da população, principalmente da população mais vulnerável. Então nós tivemos em algumas comunidades ali que não tem acesso à água potável”, explicou a promotora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza.
Ana Luisa PeterliniA promotora comentou que há também estudos sendo desenvolvidos no MPE para identificar os problemas sociais ao longo da bacia do Rio Cuiabá. – Foto: Marcos Salesse/Primeira Página

Atuando na 15ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Cuiabá, a promotora relatou ainda que existem famílias na região que não possuem recursos para perfurar poços, sendo obrigados a comprar água na cidade.

“Seja porque a água está poluída e eles não tem como utilizar essa água, seja porque não tem água disponível para perfurar poços ou eles não têm recursos para isso. Então, eles têm muita dificuldade, tem que comprar água na cidade para poder fazer uso da água. Isso, obviamente, traz dificuldades, né, não só para o próprio consumo humano, mas por questão de renda, eles não conseguem desenvolver uma atividade econômica, justamente por falta de água”, completou a promotora.

Outro fator apontado durante a coletiva foi a influência da usina de Manso, já que a retenção da água altera a dinâmica natural do Pantanal. Além da falta de água, as comunidades também enfrentam dificuldades históricas de acesso a serviços básicos.

“Além da falta de água, o pessoal mora lá a vida inteira e não tem documento da sua área, não tem documento da sua terra. Falta regularização fundiária, falta estradas, falta posto de saúde, faltam escolas, falta transporte escolar para levar as crianças”, concluiu a promotora.
Expedicao PantanalA expedição durou cinco dias de navegação pela bacia do rio Cuiabá. – Fotos: Gilberto Leite

Expedição pelo rio

Liderada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD-MT), a expedição reuniu 25 profissionais, entre professores, pesquisadores e representantes de instituições, passou por aproximadamente nove municípios ao longo da bacia do rio Cuiabá. O diagnóstico final da expedição deve ser divulgado nos próximos dias.


Entre os resultados já apontados pelas equipes que participaram então: descarte irregular de lixo nas margens dos rios, lançamento de esgoto sem tratamento, redução do estoque de pesca e presença de diversos ‘tablado’ irregulares nas margens.

A ação também deve impactar na finalização e fechamento do Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá, instrumento indispensável na gestão dos recursos hídricos conforme o Política Nacional de Recursos Hídricos, criado em 1997.





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