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Meio Ambiente
Segunda - 23 de Março de 2026 às 06:42
Por: Eduardo Gomes/Diário de Cuiabá

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Parque Nacional do Pantanal, em Mato Grosso
Parque Nacional do Pantanal, em Mato Grosso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste domingo (22) a ampliação de duas importantes unidades de conservação no Pantanal mato-grossense: o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e a Estação Ecológica de Taiamã. O anúncio foi feito durante a abertura da COP15 sobre espécies migratórias, realizada em Campo Grande (MS), e integra uma estratégia do governo federal para ampliar a proteção ambiental em uma das regiões mais biodiversas do planeta.

A medida incorpora cerca de 104 mil hectares ao sistema de conservação do bioma Pantanal, elevando a área protegida e reforçando políticas voltadas à preservação ambiental. O evento marcou o início das atividades da conferência internacional, cuja programação oficial para diplomatas começa nesta segunda-feira (23) e segue até o próximo domingo (29). Durante a cerimônia, a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, também destacou a importância de ampliar áreas protegidas como forma de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

No caso do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, localizado em Poconé, a ampliação será de aproximadamente 47,3 mil hectares, o que representa um crescimento de cerca de 35% sobre a área atual de 135 mil hectares. Já a Estação Ecológica de Taiamã, situada em Cáceres, na divisa com Poconé, terá um aumento ainda mais expressivo: serão incorporados 56.918 hectares, ampliando sua área em mais de 500%, passando dos atuais 11.200 hectares para mais de 68 mil hectares.

Com essa expansão, o percentual de áreas protegidas por unidades de conservação federais no Pantanal sobe de 4,5% para 5,2% do território total do bioma, estimado em cerca de 15 milhões de hectares. Especialistas apontam que o fortalecimento dessas áreas é essencial para a preservação de ecossistemas sensíveis, como as zonas úmidas, fundamentais para a regulação hídrica, a manutenção da biodiversidade e a mitigação de eventos extremos, como secas prolongadas e incêndios florestais.

Após o anúncio, o governo federal deve iniciar a etapa de implementação das áreas ampliadas, incluindo processos de regularização fundiária, aquisição de propriedades — algumas já em negociação —, atualização de planos de manejo e desenvolvimento de estratégias de uso público e prevenção de incêndios. A iniciativa é conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, e resulta de mais de uma década de estudos técnicos, com apoio de organizações do terceiro setor.

Segundo entidades envolvidas, o modelo adotado busca dar maior agilidade à regularização fundiária, historicamente um dos principais desafios para a consolidação de unidades de conservação no Brasil. Os estudos também visam garantir segurança jurídica aos proprietários das áreas que serão incorporadas, além de maior previsibilidade no processo de compensação.

A ampliação das áreas protegidas ocorre em um contexto de alerta ambiental no Pantanal, que tem enfrentado recordes de queimadas nos últimos anos. Em 2024, aproximadamente 2,6 milhões de hectares foram atingidos por incêndios, o equivalente a cerca de 17% de todo o bioma, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O número representa quase o triplo da área queimada em 2023.

Apesar da gravidade do cenário recente, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais indicam uma redução significativa de focos de queimadas em 2025, com queda de 96% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o histórico recente reforça a necessidade de políticas estruturais de proteção e prevenção.

Na série histórica iniciada em 2012, o ano de 2024 aparece como o segundo mais crítico em termos de área atingida por incêndios, ficando atrás apenas de 2020, quando o Pantanal enfrentou a maior tragédia ambiental já registrada no bioma. Naquele ano, sob o governo de Jair Bolsonaro, imagens de animais mortos e extensas áreas devastadas ganharam repercussão internacional, ampliando a pressão por medidas mais efetivas de preservação.

Diante desse cenário, a ampliação das unidades de conservação é vista por especialistas e ambientalistas como um passo relevante, ainda que insuficiente isoladamente, para garantir a proteção de longo prazo do Pantanal. A expectativa é de que a medida contribua para fortalecer a governança ambiental, ampliar a fiscalização e criar condições mais favoráveis para a conservação de um dos biomas mais importantes do mundo.





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