MP-MT apura destruição de 3,1 hectares do bioma amazônico Mesmo após embargo anterior, garimpo ilegal avança na região do Rio Peixoto, em Matupá (629 km ao Norte de Cuiabá)
O Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) instaurou inquérito civil para apurar a prática de garimpo ilegal e desmatamento em uma área de preservação, localizada às margens da BR-163, na região do Rio Peixoto, zona rural de Matupá (629 km ao Norte de Cuiabá).
O procedimento foi aberto a partir de fiscalização realizada no local pelo promotor de Justiça Cristiano Felipini, em conjunto com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). Um relatório técnico elaborado pela Sema-MT aponta uma série de irregularidades ambientais na região.
Entre elas, está a destruição, por corte raso, de 3,1925 hectares de vegetação nativa do bioma amazônico, área de especial preservação, sem autorização do órgão ambiental competente. A área desmatada equivale a cerca de três campos oficiais de futebol, representando a supressão de mais de 32 mil metros quadrados de floresta amazônica.
O relatório da Sema também revela que a atividade de extração de ouro estava sendo realizada em desacordo com as licenças ambientais existentes e, em parte, sem qualquer autorização, permissão ou concessão válida. Diante das constatações, o infrator foi autuado e a atividade ilegal foi novamente embargada. Os nomes dos responsáveis não foram divulgados.
O Ministério Público determinou ainda o envio de cópias do procedimento à Polícia Civil (PC), para apuração dos crimes ambientais, à Polícia Federal (PF), para averiguação de eventual comércio ilegal de ouro, e à Agência Nacional de Mineração (ANM), para adoção de medidas administrativas cabíveis, inclusive quanto a eventual suspensão de título minerário.
“O relatório da Sema deixou claro que houve desmatamento significativo em área de preservação e a insistência na exploração ilegal de ouro, mesmo após embargo anterior. O Ministério Público vai adotar todas as medidas legais necessárias para responsabilizar os envolvidos e assegurar a recuperação do dano ambiental causado”, garantiu o promotor.
Ainda em outubro de 2025, a extração ilegal de ouro nos rios Peixoto e Peixotinho, entre os municípios de Matupá e Peixoto de Azevedo, foi alvo da operação "Rastro de Érebo", resultado de investigação é conduzida pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).
Na ocasião, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão contra duas cooperativas, que exploravam a atividade minerária sem licença ambiental em Áreas de Preservação Permanente (APP). Dezoito balsas foram destruídas.
Conforme fiscalização realizada à época, a exploração ilegal gerava uma série de impactos ambientais negativos, como desmatamento e erosão, além de comprometer a qualidade da água que abastece a população de Peixoto de Azevedo e Matupá, que juntas contam com aproximadamente 52,7 mil habitantes.

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