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Terça - 07 de Julho de 2026 às 10:14
Por: Marcos Lemos/Diário de Cuiabá

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Michel Alvim Secom-MT
Mauro Mendes e Jayme Campos estão em lados opostos, na discussão sobre a disputa pelo Palácio Paiaguás
Mauro Mendes e Jayme Campos estão em lados opostos, na discussão sobre a disputa pelo Palácio Paiaguás

O União Brasil decidiu antecipar a convenção estadual que definirá os rumos da legenda nas eleições de 2026.

Em acordo firmado, na segunda-feira (6), o ex-governador Mauro Mendes e o senador Jayme Campos bateram o martelo para transferir o encontro do dia 4 de agosto para o próximo dia 30.

A mudança, no entanto, não resolveu a principal disputa interna do partido: quem o União apoiará na corrida ao Palácio Paiaguás.

A informação foi confirmada pelo deputado estadual Dilmar Dal'Bosco, que participou das discussões entre as lideranças da sigla.

Segundo ele, houve consenso apenas quanto à antecipação da convenção.

O posicionamento do partido na eleição para o Governo do Estado continua sem definição.

O impasse divide as duas principais lideranças do União Brasil em Mato Grosso.

Jayme Campos mantém a intenção de disputar o Governo do Estado e defende que o partido lance candidatura própria.

Do outro lado, Mauro Mendes segue articulando para que a legenda apoie a tentativa de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Diante da falta de consenso, a expectativa é que a decisão seja levada aos convencionais, que deverão definir, por meio de votação, qual será o caminho adotado pelo partido na sucessão estadual.

Embora a antecipação da convenção represente um avanço nas negociações internas, ela resolve apenas o calendário partidário.

A definição sobre as candidaturas majoritárias ainda dependerá de uma etapa posterior: a convenção da federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP).

Será nesse encontro que deverão ser consolidadas as alianças e oficializadas as chapas para a disputa ao Governo do Estado, ao Senado e às eleições proporcionais, tornando a convenção da federação o momento decisivo para o futuro político do grupo em Mato Grosso.

CONVERSAS - Um dia antes da definição da nova data, Jayme Campos reafirmou, em entrevista, está mantida a sua pré-candidatura ao Governo e que disputará a convenção do partido, afastando qualquer possibilidade de desistência em favor de um consenso interno.

Segundo Jayme, Mauro voltou a convidá-lo para integrar uma chapa ao Senado, proposta que foi recusada pelo senador.

Ele afirmou que assumiu compromissos políticos durante a construção de sua pré-candidatura e que não considera correto abandonar o projeto neste momento.

"Conversamos novamente. Ele voltou a me convidar para ser candidato ao Senado ao lado dele, mas eu lembrei que já existem outros nomes na disputa e que assumi compromisso com muitos companheiros. Não seria correto recuar agora", declarou.

Apesar das divergências sobre a sucessão estadual, Jayme classificou o ambiente interno do União Brasil como "pacificado" e disse que a discussão será resolvida dentro das regras partidárias.

O senador destacou que pretende disputar a convenção da legenda e defendeu que o partido lance candidatura própria ao Governo do Estado.

"Sou pré-candidato e vou disputar a convenção. Se o partido tem um nome, por que deixar de disputar a eleição para apoiar um candidato que não pertence aos seus quadros?", questionou.

Durante a entrevista, Jayme também afirmou que, nos últimos anos, buscou abrir um diálogo interno sobre a sucessão estadual, mas disse que as conversas não avançaram.

Segundo ele, a ausência desse debate antecipado contribuiu para o atual cenário de indefinição dentro da legenda.

O senador acrescentou que o Estatuto do União Brasil garante aos filiados o direito de disputar as convenções partidárias e afirmou que caberá aos delegados da legenda definir quem representará o partido nas eleições de outubro.

Ao comentar o cenário político, Jayme fez uma reflexão sobre as mudanças nas alianças construídas desde a eleição de 2018.

Sem citar qualquer rompimento específico, o senador lembrou que lideranças que estiveram ao lado de Mauro Mendes naquela campanha hoje ocupam posições políticas distintas.

"Ele esteve com Pedro Taques, Carlos Fávaro, Wellington Fagundes, Janaina Riva, comigo e tantos outros companheiros em 2018. Hoje muitos estão em lados diferentes. Quem está certo ou errado?", indagou.

Jayme também ressaltou que permaneceu no mesmo grupo político ao longo de sua trajetória, embora a legenda tenha passado por mudanças de nome e fusões partidárias.

Ele afirmou ter conversado com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e disse ter recebido a garantia de que poderá disputar a convenção partidária.

Segundo ele, a partir dessa definição, continuará percorrendo Mato Grosso para fortalecer sua pré-candidatura.





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