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Policia MT
Sexta - 10 de Julho de 2026 às 09:52
Por: Eduardo Gomes/Diário de Cuiabá

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A Polícia Civil de MT dispõe de órgãos especializados em buscar soluções para crimes de homicídios
A Polícia Civil de MT dispõe de órgãos especializados em buscar soluções para crimes de homicídios

Mato Grosso aparece entre os estados brasileiros com melhor desempenho na elucidação de homicídios.

Levantamento do Instituto Sou da Paz, divulgado na sexta-feira (9), mostra que 57% dos assassinatos registrados no Estado entre 2020 e 2023 tiveram autoria identificada e denúncia apresentada à Justiça, colocando Mato Grosso na oitava posição do ranking nacional.

O estudo também revela que, apesar do desempenho acima da média brasileira, o país ainda enfrenta um grave problema na investigação de crimes contra a vida.

Em média, seis de cada dez homicídios cometidos no Brasil permanecem sem autoria esclarecida.

Na liderança do ranking aparecem Goiás, com índice de 86% de resolução, Distrito Federal (81%) e Minas Gerais (75%).

Na outra ponta estão Rio Grande do Norte (9%), Bahia (14%), Piauí (23%) e Rio de Janeiro (23%), estados com menor capacidade de esclarecimento das mortes violentas.

Segundo o Instituto Sou da Paz, fatores socioeconômicos exercem forte influência sobre a capacidade investigativa das polícias.

Estados com maior renda per capita, melhores indicadores de desenvolvimento humano (IDH), maior escolaridade e menor desigualdade social tendem a apresentar índices mais elevados de resolução de homicídios.

Por outro lado, ambientes marcados pela exclusão social, altas taxas de desemprego e maior concentração de pobreza enfrentam dificuldades adicionais para solucionar os crimes.

"Ambientes marcados por elevados níveis de violência, desigualdade e exclusão social impõem obstáculos à produção de provas, à localização de testemunhas e à cooperação da comunidade, muitas vezes intimidada pelo medo de represálias", aponta o relatório.

O estudo também identificou que homicídios praticados com armas de fogo costumam apresentar menores índices de resolução.

Segundo o coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, Rafael Rocha, esse tipo de crime deixa menos vestígios materiais do que homicídios cometidos com armas brancas, dificultando o trabalho pericial e investigativo.

Por outro lado, a apreensão de armas de fogo tem impacto positivo na elucidação dos crimes, já que os armamentos podem ser relacionados a ocorrências anteriores por meio do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab).

Outro dado apontado pelo levantamento é que feminicídios apresentam taxas de esclarecimento superiores à média dos homicídios em geral, principalmente porque, na maioria dos casos, o autor mantém ou manteve vínculo com a vítima, facilitando sua identificação.

Além de Mato Grosso, outros estados apresentaram resultados considerados positivos.

Rondônia, por exemplo, alcançou índice próximo de 70%, desempenho atribuído ao modelo de continuidade investigativa, no qual a mesma equipe policial acompanha o caso desde o atendimento inicial até a conclusão do inquérito.

Em sentido oposto, o estudo destaca que estados como Rio Grande do Norte, Bahia e até São Paulo registram índices de esclarecimento inferiores ao esperado diante de suas condições estruturais.

Para o Instituto Sou da Paz, ampliar a resolução dos homicídios depende de investimentos na Polícia Judiciária, fortalecimento das investigações, uso de inteligência, integração entre os órgãos de segurança e acompanhamento permanente dos indicadores pelos governos estaduais.

O Ministério da Justiça informou que reconhece a elucidação de homicídios como um dos principais desafios da Segurança Pública, e que trabalha na implantação de indicadores nacionais para monitorar a capacidade investigativa das polícias civis em todo o país.





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