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Judiciário e Ministério Público
Quarta - 15 de Julho de 2026 às 10:45
Por: Maria Clara Silva/Da Reportagem

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A investigação é conduzida pela Justiça Federal de MT e apura ainda indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro
A investigação é conduzida pela Justiça Federal de MT e apura ainda indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Fugazi, para aprofundar as investigações sobre um grupo econômico suspeito de aplicar fraudes em operações de crédito consignado e cartão de crédito consignado, em prejuízo de servidores públicos, aposentados e pensionistas.

A investigação é conduzida pela Justiça Federal de Mato Grosso e apura ainda indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro.

No total, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Os principais alvos são:

Marcolino Medeiros Junior II

- Roberto Arduini Gomes Teixeira

- Sven Stefan Padre Kuhn

- Caspar Heinrich Menke

- Yim Kyu Lee

- Henrique Souza e Silva Peretto

- Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A.

- Grupo Clickdigital Participações S.A.

- Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda.

- Bemcardes Benefícios S.A.

- ABC CARD Cartões Ltda.

- Quiz Holding Ltda.

- Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A.

Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens móveis e imóveis dos investigados, bem como o bloqueio de valores e ativos financeiros para garantir eventual ressarcimento às vítimas e impedir a ocultação de patrimônio.

Segundo a PF, as investigações apontam que empresas ligadas ao grupo ofereciam aos consumidores contratos apresentados como cartão de crédito consignado.

Na prática, porém, os produtos funcionariam como empréstimos consignados, com juros significativamente superiores aos praticados em linhas tradicionais.

Ainda conforme a investigação, os contratos continham mecanismos que dificultavam ou até impediam a quitação da dívida, fazendo com que o saldo devedor aumentasse continuamente, mesmo após diversos descontos mensais na folha de pagamento dos clientes.

Esse modelo teria atingido principalmente aposentados, pensionistas e servidores públicos, público considerado mais vulnerável em razão da facilidade de contratação e do desconto automático dos valores.

A Polícia Federal informou que a operação busca reunir novas provas, identificar todo o fluxo financeiro das empresas investigadas e esclarecer a participação de cada integrante do grupo econômico.

O inquérito também deverá apontar se houve lavagem de dinheiro por meio da ocultação de patrimônio e movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada pelas empresas.

Embora os mandados tenham sido cumpridos fora de Mato Grosso, a investigação tramita na Justiça Federal do Estado, que autorizou todas as medidas cautelares.

A PF não divulgou o número de possíveis vítimas nem estimativa do prejuízo financeiro causado pelo esquema.

As apurações prosseguem e novos crimes poderão ser incluídos no inquérito caso surjam outros elementos durante a análise do material apreendido.

ENTENDA O ESQUEMA

Como funcionava o golpe

Segundo a Polícia Federal, empresas ofereciam contratos apresentados como cartão de crédito consignado, mas que funcionariam como empréstimos consignados, com juros elevados e cláusulas que dificultavam a quitação da dívida.

Quem pode ter sido vítima

- Servidores públicos;

- Aposentados;

- Pensionistas;

- Consumidores que contrataram cartão de crédito consignado com desconto em folha

O que fazer se você contratou um cartão consignado

- Solicite cópia integral do contrato;

- Verifique se a modalidade contratada corresponde ao que foi informado na contratação;

- Confira se os descontos em folha estão corretos;

- Em caso de irregularidade, registre reclamação no banco, no Procon e no Banco Central;

- Havendo indícios de fraude, procure um advogado ou a Defensoria Pública para avaliar medidas judiciais.





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