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Agronegócios
Segunda - 27 de Julho de 2026 às 09:28
Por: Gustavo Oliveira/Diário de Cuiabá

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Desde a última sexta-feira (24), os Estados Unidos passaram a aplicar novas tarifas sobre uma série de produtos brasileiros, ampliando a tensão comercial entre os dois países.

A decisão do Governo Donald Trump foi antecedida por relatórios do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que acusam o Brasil de manter práticas comerciais consideradas desleais e apontam preocupações ambientais, como o uso de áreas desmatadas ilegalmente para produção agropecuária.

Em Mato Grosso, o episódio ganha uma dimensão ainda mais delicada.

O Estado é, ao mesmo tempo, o maior produtor agropecuário do Brasil e um dos principais redutos eleitorais do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Isso significa que a atuação de integrantes da família Bolsonaro, em defesa da adoção de sanções pelos Estados Unidos contra o Brasil, pode atingir justamente o setor econômico que constitui uma de suas maiores bases de apoio político.

Embora as tarifas tenham poupado alguns produtos estratégicos para o mercado americano, como parte das exportações de carne bovina, especialistas avaliam que a preocupação vai além das medidas já anunciadas.

Os relatórios do USTR ampliam esse risco ao listar uma série de questionamentos ambientais, regulatórios e comerciais que podem servir de base para novas medidas contra produtos brasileiros.

Para Mato Grosso, o cenário exige atenção.

O Estado lidera a produção nacional de soja, milho, algodão e carne bovina e depende das exportações para sustentar o crescimento da economia.

Qualquer barreira adicional imposta pelos Estados Unidos repercute sobre produtores rurais, cooperativas, agroindústrias, transportadoras e dezenas de municípios cuja arrecadação está diretamente ligada ao desempenho do campo.

O aspecto mais sensível, porém, é o político.

A pressão exercida por integrantes da família Bolsonaro sobre o Governo Trump, em defesa do ex-presidente, acabou sendo incorporada ao debate comercial entre os dois países.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos também têm interesses econômicos claros.

Brasil e EUA disputam mercados internacionais de soja, milho, algodão, carnes e etanol, e a adoção de medidas protecionistas faz parte da estratégia histórica de defesa do produtor americano, especialmente em momentos de maior concorrência internacional.

Mais do que um embate entre Brasília e Washington, a crise comercial evidencia como decisões políticas podem repercutir diretamente sobre a economia de Mato Grosso.

Em um Estado onde praticamente todos os pré-candidatos ao Governo disputam o apoio do agronegócio, o tarifaço americano introduz um novo componente na sucessão de 2026: pela primeira vez, a principal base econômica e eleitoral do bolsonarismo pode ser diretamente afetada por uma estratégia política defendida por aliados do próprio ex-presidente.

O episódio também reforça uma preocupação crescente entre exportadores e lideranças do setor produtivo.

Se as divergências diplomáticas continuarem a se sobrepor às negociações comerciais, o agronegócio brasileiro poderá enfrentar um ambiente de maior insegurança, justamente em um momento de expansão da produção e de busca por novos mercados.

Para Mato Grosso, cuja economia depende do desempenho do campo, o desafio será evitar que uma disputa política internacional se transforme em perdas concretas para produtores, empresas e municípios.





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