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Meio Ambiente
Quinta - 20 de Agosto de 2026 às 09:05
Por: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

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Gustavo Figueirôa SOS Pantanal
Mato Grosso registrou alta de 26,73% no desmatamento na Amazônia Legal
Mato Grosso registrou alta de 26,73% no desmatamento na Amazônia Legal

Mato Grosso destoou do movimento de queda do desmatamento registrado na Amazônia Legal em 2025.

Enquanto oito dos nove estados da região reduziram a perda de vegetação nativa, o território mato-grossense foi o único a apresentar aumento, com avanço de 26,73% em apenas um ano.

A área desmatada no Estado passou de 1.257 km² em 2024 para 1.593 km² em 2025, um acréscimo de 336 km².

A área adicional derrubada em apenas um ano equivale a aproximadamente 47 mil campos de futebol.

INFO desmatamento amazônia MT

Os números fazem parte dos dados consolidados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), divulgados na quarta-feira (19) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O desempenho de Mato Grosso chama atenção principalmente pelo contraste com o restante da Amazônia Legal.

Em toda a região, foram desmatados 5.731 km² em 2025, ante 6.518 km² no ano anterior.

Isso representa redução de 12,07%, ou 787 km² de floresta derrubada a menos.

Mato Grosso caminhou no sentido oposto. Além de ser o único Estado com crescimento, concentrou sozinho 27,8% de todo o desmatamento registrado na Amazônia Legal no período.

Em outras palavras, mais de um em cada quatro quilômetros quadrados derrubados na região estava em território mato-grossense.

O levantamento considera o período entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025 e constitui a taxa anual consolidada utilizada pelo Governo Federal para acompanhar a perda de cobertura vegetal e orientar políticas públicas de prevenção e combate ao desmatamento.

SEGUNDO MAIOR DESMATAMENTO - Apesar da alta registrada em Mato Grosso, o Pará continua concentrando a maior área absoluta de floresta derrubada.

Foram 2.064 km² desmatados no território paraense em 2025. Mato Grosso aparece em segundo lugar, com 1.593 km².

Juntos, os dois estados responderam por aproximadamente 64% de toda a área desmatada na Amazônia Legal.

Depois aparecem Amazonas, com 979 km²; Acre, com 324 km²; Roraima, 285 km²; Rondônia, 229 km²; Maranhão, 210 km²; Tocantins, 30 km²; e Amapá, 17 km².

A diferença está na trajetória. Enquanto Mato Grosso aumentou a derrubada, todos os demais estados apresentaram redução.

As maiores quedas proporcionais foram registradas em Roraima, onde o desmatamento diminuiu 39,10%; Amapá, com recuo de 37,04%; e Rondônia, com redução de 36,39%.

O resultado coloca Mato Grosso numa situação particular dentro da política de controle ambiental da Amazônia: o Estado não lidera a área absoluta desmatada, mas foi o único a terminar o período com deterioração do indicador.

336 KM² A MAIS - A evolução dos números também dimensiona o desafio enfrentado pelo Estado.

O acréscimo de 336 km² registrado entre um levantamento e outro corresponde a cerca de 33,6 mil hectares de vegetação nativa.

O aumento mato-grossense também absorveu parte relevante do ganho obtido pelos demais estados.

Sem os 336 km² adicionais registrados em Mato Grosso, a redução conjunta da Amazônia Legal teria sido ainda maior.

Os dados consolidados reforçam a necessidade de identificar onde ocorreu essa expansão, quanto dela está associado a desmatamento ilegal e quais atividades econômicas avançaram sobre as áreas de vegetação nativa.

O Prodes, isoladamente, mede a extensão da cobertura retirada. A classificação de uma determinada supressão como legal ou ilegal depende do cruzamento com autorizações ambientais e outras bases de dados.

R$ 134 MILHÕES CONTRA CRIMES AMBIENTAIS - O avanço ocorre ao mesmo tempo em que Mato Grosso ampliou os recursos destinados às ações de prevenção e repressão aos crimes ambientais.

Neste ano, estão previstos R$ 134 milhões para combate ao desmatamento ilegal, exploração florestal irregular e incêndios florestais.

Os recursos integram o plano conduzido pelo Comitê Estratégico para o Combate ao Desmatamento Ilegal, Exploração Florestal Ilegal e Incêndios Florestais de Mato Grosso (Cedif/MT), criado em 2020.

Segundo dados do Governo do Estado, o orçamento destinado às ações aumentou de R$ 32 milhões em 2020 para R$ 125 milhões em 2025.

A estratégia reúne monitoramento por satélite, fiscalização em campo, responsabilização dos infratores, prevenção e combate aos incêndios e proteção da fauna.

O monitoramento remoto permite acompanhar continuamente o território e identificar alterações na cobertura vegetal, áreas de solo exposto e alertas de supressão, informações que posteriormente podem orientar as equipes de fiscalização em campo.

Os números consolidados pelo Inpe, entretanto, mostram que o aumento dos recursos e da capacidade de monitoramento ainda convive com um desafio concreto: Mato Grosso terminou 2025 com mais floresta derrubada do que no ano anterior, enquanto o restante da Amazônia Legal conseguiu reduzir o desmatamento.

MONITORAMENTO DESDE 1988 - O Prodes considera desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso ou o estágio final de um processo de degradação no qual ocorre a perda completa da copa das árvores, independentemente do uso posterior da área.

O sistema realiza o mapeamento sistemático da Amazônia Legal e calcula as taxas anuais de desmatamento desde 1988.

A série histórica é uma das principais referências utilizadas pelo Brasil para avaliar políticas de controle da derrubada da floresta e calcular emissões de gases de efeito estufa.

Os dados também subsidiam programas relacionados ao REDD+, mecanismo de redução de emissões provenientes do desmatamento e da degradação florestal, além de pesquisas científicas e iniciativas privadas ligadas à rastreabilidade das cadeias produtivas.

No agronegócio, informações do Prodes são utilizadas em mecanismos de acompanhamento da produção, como iniciativas relacionadas à soja e à pecuária bovina.

Para Mato Grosso, o resultado de 2025 coloca uma questão adicional sobre a política ambiental: por que o desmatamento voltou a crescer no Estado justamente no período em que caiu em todos os outros integrantes da Amazônia Legal?

Essa diferença passa a ser um dos principais pontos a serem explicados diante dos dados consolidados do monitoramento federal.





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