Após aposentar juíza, TJ investiga decisões de três magistrados Magistrados são investigados por decisões ligadas à juíza punida pelo Órgão Especial do TJ
Mais três juízes de Mato Grosso estão sendo investigados pela Corregedoria-Geral de Justiça por decisões que teriam beneficiado o marido da juíza Maria das Graças Gomes da Costa, Antenor Alberto de Matos Salomão. Ela foi aposentada compulsoriamente nesta quinta-feira (27) pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Salomão está preso, acusado de matar a bancária Leidiane Souza Lima, de 34 anos, com quem teve uma filha. O crime ocorreu em janeiro de 2023, em Rondonópolis. A juíza aposentada é suspeita de ter conhecimento prévio do feminicídio e de liderar um suposto “conluio” envolvendo a disputa pela guarda da criança, hoje com cinco anos.
As apurações envolvendo os magistrados - que não tiveram os nomes divulgados - correm em sigilo e buscam esclarecer as circunstâncias em que foram proferidas decisões relacionadas à juíza, que era titular da Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis.
A existência das investigações não significa que os três magistrados tenham cometido irregularidades. Caberá à Corregedoria apurar se as decisões foram tomadas dentro da legalidade e dos deveres funcionais ou se houve alguma conduta passível de responsabilização disciplinar.
Maria das Graças foi aposentada compulsoriamente pelo Órgão Especial do TJ-MT em sessão realizada na tarde de quinta-feira. Os desembargadores seguiram, por maioria, o voto da relatora, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, após dois pedidos de vista. O processo também tramita sob sigilo.
A magistrada estava afastada das funções desde janeiro, após ser alvo de uma reclamação disciplinar relacionada ao feminicídio da bancária. O marido dela está preso na Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa, em Rondonópolis.
Suspeita de conhecimento prévio
O afastamento da juíza foi determinado pelo TJ-MT depois que o Ministério Público Estadual (MPE) apresentou uma reclamação disciplinar contra ela ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O MPE acionou o Conselho em 19 de dezembro de 2025 e apontou indícios de que Maria das Graças poderia ter tido conhecimento prévio ou posterior sobre o feminicídio de Leidiane.
Segundo o Ministério Público, entre os elementos que justificariam uma "apuração rigorosa" estão registros de ligações telefônicas feitas por Antenor logo após o assassinato.
"Há elementos constantes dos autos que indicam possível ciência prévia ou posterior da magistrada acerca do crime, inclusive registros de ligações telefônicas realizadas pelo réu imediatamente após o feminicídio, circunstâncias que, ao menos sob a ótica disciplinar, impõem apuração rigorosa", afirmou o MPE.
O órgão também apontou a suspeita de um possível "conluio", que teria sido liderado pela magistrada, envolvendo a disputa pela guarda da filha de Leidiane com Antenor.
Decisão será revista pelo CNJ
A aposentadoria compulsória de Maria das Graças ainda será submetida ao Conselho Nacional de Justiça.
Conforme apurou a reportagem, o processo seguirá para o CNJ, que fará o reexame da decisão diante das novas regras disciplinares aplicáveis à magistratura.
A Resolução nº 693/2026, aprovada neste mês pelo Conselho, extinguiu a aposentadoria compulsória como sanção disciplinar máxima e instituiu a disponibilidade com proposta de perda do cargo para magistrados responsabilizados por infrações graves.
Com isso, embora o TJ-MT tenha decidido pela aposentadoria compulsória de Maria das Graças, o caso ainda passará pelo crivo do CNJ.

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