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Judiciário e Ministério Público
Segunda - 14 de Setembro de 2026 às 10:39
Por: Maria Clara Silva/Diário de Cuiabá/Da reportagem

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A investigação que levou à prisão de uma missionária suspeita de ligação com integrantes do Comando Vermelho coloca sob questionamento os mecanismos utilizados pelo Estado para autorizar, acompanhar e fiscalizar a entrada de religiosos nas unidades prisionais de Mato Grosso.

O caso ganhou repercussão nacional neste domingo (13), após ser mostrado pelo Fantástico, mas a apuração conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso vai além da relação pessoal entre a investigada Rhavenna Barcelos de Almeida e integrantes da facção.

Segundo a investigação, Rhavenna e os pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, integravam um grupo autorizado pelo Governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa dentro dos presídios.

A suspeita da Polícia Civil é de que justamente esse acesso tenha permitido a aproximação com presos apontados como integrantes ou lideranças do Comando Vermelho. Os investigadores sustentam que membros da família teriam mantido contato com integrantes da facção, transmitido recados e auxiliado na movimentação e ocultação de dinheiro relacionado ao tráfico de drogas.

Rhavenna está presa desde 16 de julho, quando foi alvo da Operação Fariseus, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

A investigação aponta ainda que ela mantinha relacionamento com Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido como Batman, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso e foragido desde 2024.

De acordo com a polícia, mensagens analisadas durante a investigação indicam que Rhavenna sabia onde o suspeito estava escondido e compartilhava informações com ele. A apuração também concluiu que os dois mantinham um relacionamento amoroso.

Outros casos sob investigação

O ponto que amplia a dimensão do episódio para além da situação individual de Rhavenna é a identificação de outras mulheres que frequentavam unidades prisionais como missionárias e também passaram a ser investigadas.

Segundo as informações reunidas pela Draco, algumas delas teriam mantido relacionamentos com traficantes e são suspeitas de terem mentido em depoimentos prestados à polícia.

A existência de outros casos levanta questionamentos sobre a fiscalização do acesso de pessoas credenciadas para atividades religiosas às unidades penitenciárias e sobre os mecanismos utilizados para impedir que a assistência espiritual seja empregada como canal de comunicação entre presos e pessoas do lado de fora.

A investigação também identificou uma ligação de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e preso há mais de duas décadas.

Conforme o inquérito citado no boletim, os dois também teriam mantido relacionamento amoroso. A polícia afirma que o preso enviava presentes à missionária, entre eles joias e um veículo, e que conversas obtidas pelos investigadores indicam que ela tinha conhecimento da posição ocupada por Renildo na organização criminosa.

Justiça proíbe acesso

Rhavenna, Orminda e Nivaldo foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, segundo as informações disponíveis, o Ministério Público denunciou os três pelos mesmos crimes.

A Justiça também proibiu os investigados e outras quatro pessoas mencionadas no inquérito de participarem de atividades de assistência religiosa nas unidades prisionais.

A medida alcança, portanto, sete pessoas relacionadas à investigação.

Após o caso, a Secretaria de Justiça informou ter reforçado a fiscalização para combater o uso de celulares dentro da Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá.

A investigação, porém, deixa uma série de questões relacionadas ao próprio sistema de controle da assistência religiosa ainda sem resposta nos documentos disponíveis: quantas pessoas estão atualmente credenciadas para entrar nos presídios de Mato Grosso; quais requisitos precisam cumprir; se há investigação de antecedentes antes da autorização; com que frequência os credenciamentos são renovados; e de que forma as visitas e os contatos com os detentos são fiscalizados.

Essas informações não constam do boletim analisado pelo DIÁRIO e devem ser solicitadas à Secretaria de Estado de Justiça.

Ostentação

A polícia também investiga a origem de bens associados à rotina da missionária.

Entre os materiais analisados aparecem registros de carros de luxo, joias, festas e viagens. Conforme a investigação, um Porsche avaliado em aproximadamente R$ 600 mil e exibido pela investigada nas redes sociais pertenceria a Batman.

A suspeita de movimentação e ocultação de recursos integra a investigação que resultou nos indiciamentos por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Nivaldo de Almeida morreu na semana passada em decorrência de complicações de um câncer.

Outro lado

A defesa de Rhavenna Barcelos de Almeida nega as acusações e afirma que os fatos serão esclarecidos durante o processo.

A defesa de Orminda de Almeida também sustenta que ela não tem participação em organização criminosa.





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