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Economia
Terça - 16 de Junho de 2009 às 15:58

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Os bancos demitiram mais do que contrataram nos primeiros três meses deste ano. No ano passado, o movimento foi inverso. E mais, as instituições cortaram funcionários com salário maior e admitiram outros com remuneração menor. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Dieese e Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro)-CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Segundo o levantamento sobre o sistema financeiro, os bancos que operam no Brasil fecharam 1.354 postos de trabalho no primeiro trimestre de 2009. As empresas financeiras desligaram 8.236 bancários e contrataram 6.882 entre janeiro e março.

É uma inversão do que ocorreu no ano passado, quando houve um aumento de 3.139 novas vagas no mesmo período.

O balanço foi feito com base dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.

Salário

Além da redução do emprego, o Dieese apontou ainda a diminuição na remuneração média dos trabalhadores do sistema financeiro. Os desligados no primeiro trimestre recebiam remuneração média de R$ 3.939. Já os contratados têm remuneração média de R$ 1.794, o que representa uma diferença de 54,45%, ou seja, menos da metade.

Segundo a pesquisa, os desligamentos foram concentrados nos escalões hierárquicos superiores e as admissões ocorrem principalmente nos cargos iniciais da carreira. Esse movimento intensificou a tendência observada no mesmo período do ano passado, quando a diferença entre os salários médios dos bancários contratados e desligados foi de 34,34%.

A maioria dos admitidos está na faixa entre 18 e 24 anos, enquanto os desligados concentram-se nas faixas superiores aos 30 anos de idade.

"Enquanto os lucros aumentam progressivamente mesmo durante a crise --os 50 maiores bancos apresentaram lucro líquido de R$ 7,5 bilhões só no primeiro trimestre deste ano--, as empresas financeiras estão reduzindo custos com fechamento de postos de trabalho e ainda com a alta rotatividade da mão-de-obra, demitindo bancários com salários mais altos e contratando funcionários com remuneração inferior", afirmou Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

"As demissões estão concentradas nos grandes bancos privados, principalmente em razão das fusões do Itaú-Unibanco e Santander-Real, contrariando os compromissos assumidos publicamente pelos presidentes dessas empresas de que não haveria fechamento de postos de trabalho", disse o sindicalista.





Fonte: Folha Online

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