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Economia
Terça - 09 de Junho de 2009 às 15:48

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Os números da construção civil no Brasil e em Mato Grosso mostram o tamanho das oportunidades para toda a cadeia produtiva do setor, mesmo em ambiente de crise financeira. Nos quatro primeiros meses deste ano houve crescimento de 10% sobre os recursos aplicados em 2008, no total de R$ 30 bilhões, considerados dados de verba do sistema de poupança sistematizados pela Câmara Brasileira da Indústria de Construção Civil (CBIC), segundo seu presidente Paulo Safady Simão.

Ele informa que, na média nacional, há previsão de crescimento de 3% do PIB da construção civil neste ano. Em Mato Grosso, outro indicador dá a dimensão de novas habitações, de acordo com o gerente regional da construção civil da Caixa Econômica Federal (CEF), Edy Veggi. “A demanda em Cuiabá é de 30 mil unidades e atualmente temos 50 mil inscritos para casas populares”. Em todo o Estado, afirma, a demanda gira em torno de 120 mil a 150 mil unidades.

Tanto potencial de um mercado aquecido das classes de baixa renda já despertou interesse de espanhóis. O grupo STB, representante da construtora e incorporadora Osklen, de Gijon, Asturias (Espanha), tem interesse não apenas na expansão da construção civil em Mato Grosso, explicam seus sócios-proprietários, Fernando Frías Pastor, presidente, e Arturo Perez, diretor gerente.

Eles visitaram a Confortex 2009 em Cuiabá para prospectar também "negócios para joint ventures e importação de móveis e soja de Mato Grosso”, confirma o diretor gerente. A Feira de Móveis, Decoração, Paisagismo e Construção, encerrada neste domingo (7) no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, foi organizada pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Sebrae/MT e sindicatos da cadeia da habitação (Sindimóvel) e da construção civil (Sinduscon-MT).

“Pretendemos em dois anos construir 200 mil casas no Brasil. Isso é uma possibilidade real com o nosso sistema e tecnologia”, revela Arturo. O executivo tem mapeado negócios e visitado frequentemente o Brasil nos últimos cinco anos. “(Podemos) comprar empresas, fazer joint venture para casas populares e construção residencial (casas e prédios) para classes média e alta”. A opção de joint venture dos espanhóis pode ser feita por meio projeto do Governo Federal Minha Casa, Minha Vida.

O grupo espanhol tem obtido bom desempenho em oito estados das regiões Sul e Sudeste e no Ceará, locais onde atua há 15 anos. Só em Fortaleza, são 40 mil unidades de casas populares. “Em 2008 os negócios tiveram crescimento 40% sobre 2007”, destaca. Ele diz que a empresa tem tecnologia que reduz tempo de construção, elimina custos e não deixa resíduos. “Entregamos a casa desmontada. O cliente monta no lugar escolhido em três dias com acabamento interno e externo, a depender da casa. Uma casa básica tem 48 metros quadrados”, descreve Arturo. A casa popular em referência é para custo de até R$ 50 mil, conforme projeto da CEF. “Produzimos 10 casas a cada oito horas de turno por dia”, detalha.

O presidente e gestor imobiliário da Incorporadora e Construtora Tucasa, Emilio González, diz que o grupo STB, do qual também é sócio, tem interesse de ampliar os negócios para Mato Grosso e Rondônia. Em Fortaleza, a empresa tem consultoria do Sebrae/CE. Ele confirma os ganhos tecnológicos com o sistema do grupo STB. “Temos um sistema de construção de prédio com redução de 50% de custo com padrões de produção da Espanha, com diminuição de 75% do tempo de edificação e sem sobra de resíduos”, diz. “Nos interessamos ainda por outras áreas em Mato Grosso, como topografia. Queremos implantar uma joint venture com uma empresa daqui para transferir tecnologia”, sugere.

O gestor da carteira nacional da construção civil do Sebrae Nacional, Paulo Baciuk, avalia que o caminho para cobrir a demanda habitacional no Brasil requer alguns ajustes técnicos. “Temos que estabelecer no Brasil o padrão de coordenação decimal. Todas as medidas da construção têm que ter múltiplo de 10”, diz, explicando que nos Estados Unidos e na Europa isso já é feito há 40 anos. “Temos que começar da areia até chegar ao produto que é o prédio”.

Baciuk enxerga que um avanço na construção civil brasileira requer um sistema construtivo semelhante ao processo do grupo espanhol. “Temos que trabalhar no Brasil a construção industrializada. É preciso ter uma parede pronta. A nossa construção é artesanal”, compara. Ele cita que outro salto na construção civil seria destravar a burocracia para deslanchar os projetos na habitação.

Ele cita pelos menos quatro nós ou barreiras a vencer para se eliminar o déficit habitacional: redução dos juros caros de financiamentos; vencer o obstáculo de liberar projetos em menos de seis meses, como licenciamento, alvará; falta de financiamentos; e prazo de construção demorado.

Oportunidades

O número síntese de todo o significado de negócios da cadeia da habitação mostrados na Confortex 2009 está no comparativo do déficit habitacional do Brasil – 7,2 milhões de unidades – e o projeto do governo federal lançado em março - Minha Casa, Minha Vida, cuja meta é construir 1 milhão de moradias com financiamento de casas populares para famílias de até 10 salários mínimos (R$ 4.650,00). O presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão, relatou que os empresários do setor têm meta de cobrir em 15 anos o atual déficit de habitações no Brasil, a partir do projeto Moradia Digna.

A cada ano, segundo o gerente regional de construção civil da CEF em Mato Grosso, Edy Veggi, se financia mais e mais unidades habitacionais com subsídios dos governos federal, estadual e municipal. Com dados da superintendência do banco estatal em Mato Grosso, ele enumera que em 2003 foram financiados R$ 40 milhões em casas populares, ao passo que no ano passado, foram R$ 400 milhões. O gerente da instituição financeira diz que a meta neste ano é “passar de meio bilhão em financiamento em casas de até 60 mil reais”, com tamanho de até 60 metros quadrados.

Ele afirmou que representantes do setor estiveram na semana passada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para propor a restauração dos 16 prédios dos ministérios da Esplanada em Brasília, com conceitos de instalações ambientalmente sustentáveis, com redução de gasto de energia e água. O projeto seria executado por meio de Parceria Público-Privada (PPP) e a empreitada consta da programação dos 50 anos da capital federal, comemorados em 2010.

O presidente da CBIC apontou algumas das oportunidades do setor na Confortex 2009. “Temos 12 milhões de moradias que precisam de reformas importantes. É outro mercado que se abre”, indica Simão. O executivo ainda citou empreendimentos atuais e futuros em projetos de infraestrutura urbana (habitação e saneamento) do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2007-2010. Há também investimentos em capitais como Cuiabá na área de mobilidade urbana, em função de terem sido escolhidas para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014. (Sebrae)





Fonte: 24 Horas News

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