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Economia
Sexta - 04 de Julho de 2008 às 08:39

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Uma operação realizada pelo Banco Central provocou prejuízo ao Tesouro Nacional, entre 2007 e maio deste ano, de mais de R$ 14 bilhões. O tamanho das perdas do BC é inversamente proporcional aos lucros obtidos pelo sistema bancário com o chamado swap reverso - operação no mercado de derivativos em que os investidores apostam nas variações do câmbio e dos juros. No mercado de derivativos, as transações são liquidadas no futuro. Os preços no futuro derivam dos preços no mercado à vista - daí vem o nome "derivativos".

O assunto é tratado com cautela pela direção do banco. O presidente, Henrique Meirelles, seus diretores e auxiliares temem a politização do assunto. Sob a condição de ter os nomes preservados, dois técnicos do BC falaram ao Jornal do Brasil. Eles ressalvaram que não há uma ilegalidade sequer na operação. É jogo limpo, tipicamente de mercado especulativo. Apontam, porém, "erros e omissões" por parte da diretoria do BC.

O swap reverso é uma operação na qual o Banco Central vende contratos futuros de juros e compra contratos futuros de câmbio. Esses contratos são negociados, por exemplo, na Bolsa Mercantil de Futuros (BM&F). O balanço é feito e pago diariamente, com referência ao desempenho futuro do Certificado de Depósito Interbancário (DI) - taxa que regula o custo de transações entre os bancos - e a variação cambial. A cada dia comparam-se DI e câmbio. Se o DI, ancorado na taxa Selic, é maior do que a desvalorização cambial, o BC precisa depositar a diferença na conta dos bancos. E vice-versa. É uma aplicação "virtual". O dinheiro não entra na economia real.

Do outro lado da moeda, técnicos alertam para o fato de que o BC controla tanto a Selic (a principal influência sobre o DI) quanto o câmbio (que, embora livre, acaba sendo influenciado pelos movimentos da Selic). Mesmo tendo à mão todas as variáveis envolvidas na operação, o prejuízo se repete - uma perda "injustificável", na visão dos críticos.

"No fim das contas, o BC arbitra o próprio prejuízo e favorece o mercado financeiro", diz um dos técnicos, lembrando que, ao aumentar os juros, por exemplo, o BC perde nas duas pontas: nos contratos de câmbio que vende e nos contratos de juros que compra.

É a isto que os críticos da operação chamam a atenção: vender swap reverso em período de elevação de juros significaria jogar dinheiro público fora. Fontes do próprio banco reconhecem que o cenário atual é o pior dos mundos para esse tipo de operação. Ex-diretor do BC e consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o economista Carlos Thadeu de Freitas reforça a tese e diz que a operação realizada "no momento em que mudou o ciclo de variação dos juros só é interessante para o mercado, para os detentores de swap":

"As operações do Banco Central no mercado de derivativos, no momento em que o próprio BC anuncia que vai subir taxas de juros, quase certamente resultarão em prejuízo para os cofres da União.





Fonte: AE

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