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Economia
Segunda - 21 de Janeiro de 2008 às 07:29

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O Brasil poderá impor novas taxas sobre a importação de farinha argentina, se ela alcançar uma penetração de 10% a 15% do mercado, segundo a edição desta segunda-feira do jornal argentino La Nación.

O jornal cita o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que teria feito o anúncio na semana passada. “As exportações de farinha argentina para o gigante sul-americano duplicaram em um ano: passaram de 300 mil toneladas em 2006 a 600 mil toneladas no ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo)”, diz o La Nación.

O jornal explica que as taxas de exportação na Argentina são muito mais altas para o trigo (28%) do que para a farinha (10%), e que por conta disso a farinha acaba chegando ao Brasil a um preço mais barato do que o trigo.

O Brasil só produz cerca de 3,5 milhões de toneladas de trigo por ano e, segundo o jornal, a indústria de moinhos do Brasil se abastece, praticamente, com o trigo argentino.

“Pela disponibilidade de matéria-prima e capacidade instalada (que está ociosa em cerca de 42%), a indústria de moinhos argentina poderia abastecer cerca de 40% do mercado brasileiro. Agora, temos 6% ou 7%, falta um caminho muito grande a percorrer, mas as condições já estão dadas”, teria dito ao La Nación Alberto España, presidente da Federação Argentina da Indústria de Moagem (FAIM).

Suspensão de registros

O jornal afirma que a indústria brasileira – que comprou três das sete milhões de toneladas de trigo registradas para a exportação na Argentina - também se queixa da suspensão do registro de vendas ao exterior, determinada pelo governo argentino, e estaria já procurando outras fontes de trigo, inclusive fora da zona do Mercosul.

No Paraguai, a farinha de trigo argentina estaria sendo contrabandeada, prejudicando a indústria local, segundo informações da Bolsa de Comércio de Rosário. O trigo sai mais caro para os moinhos paraguaios, e o preço final da farinha paraguaia é 67% mais caro do que o produto argentino.

“Em um contexto mundial de escassez – os estoques de trigo são os mais baixos dos últimos 30 anos – a Argentina tem grandes excedentes do cereal. A colheita, que acaba de terminar, assegurou 15,2 milhões de toneladas e o mercado doméstico requer uns 7 milhões, com o qual – em teoria – sobram 8,2 milhões de toneladas para exportar.”

Os argentinos, por seu lado, se queixam das condições do mercado brasileiro, por conta do poder da indústria local, com vantagens competitivas da economia de larga escala, barreiras alfandegárias e créditos subsidiados para infra-estrutura e tecnologia, segundo a FAIM.

O empresário Alberto España teria dito ao jornal que “diante de um cenário de déficit comercial histórico com o Brasil, que chega aos US$ 400 milhões e vem crescendo há 55 meses, é ridículo falar de um produto como a farinha; ainda mais quando eles praticamente não têm trigo”.





Fonte: BBC Brasil

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