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Politica Brasil
Segunda - 26 de Março de 2007 às 09:28

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Com a reforma ministerial na reta final, os partidos da base de sustentação do governo já mapeiam os cargos estratégicos que querem ocupar no segundo escalão. Na área econômica, o apetite do PT e do PMDB está focado em vagas no Banco do Brasil, na Casa da Moeda e na Caixa Econômica Federal.

O movimento é visto por integrantes do próprio governo como um retrocesso que ameaça o perfil técnico imposto após os escândalos de corrupção do primeiro mandato de Lula.

O desenho final da cúpula dessas instituições, no entanto, dependerá de negociação das lideranças partidárias com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento) e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), que deverá começar nos próximos dias.

Segundo o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), encarregado pelo PMDB de acertar as indicações do partido, os três ministros já teriam pronto um levantamento completo da participação de cada partido.

"Eles foram designados pelo presidente para integrar o grupo que fará o acerto com os partidos assim que a reforma ministerial for concluída", disse Alves, que afirma ter tido essa informação em conversa com Lula na quinta-feira passada. O peemedebista está reunindo os pedidos do seu partido e rebate as críticas de politização das instituições. "Se o indicado tiver boa formação, qualificação para o cargo, não há problema ele ser filiado a partido."

Para o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), articulador do partido, essa é uma "falsa polêmica" porque os cargos são de confiança e os partidos podem indicar pessoas com "compreensão técnica e visão confluente com a linha desenvolvimentista do governo".

Ele não fala em no

mes nem em cargos, mas diz que PT e PMDB estarão perfeitamente sintonizados nas escolhas.

"Experiência ruim foi no passado, quando os bancos não davam lucro. O resto foram casos isolados", diz Vaccarezza, quando questionado sobre os executivos afastados após as denúncias de corrupção.

Banco do Brasil

Segundo a Folha apurou, está na mira do PT a presidência do Banco do Brasil. Além disso, o partido quer manter as duas vice-presidências (Crédito e Gestão de Pessoas), ocupadas por técnicos de carreira do BB que têm ligações políticas com a sigla, e obter uma nova. Esta poderia vir com a efetivação do vice-presidente de Varejo e Distribuição, que assumiu interinamente a área por indicação direta do Planalto.

Com isso, o PT ficaria com quatro das oito vagas na cúpula do banco. O PMDB, por sua vez, reivindica duas vice-presidências. Para uma delas, a de Tecnologia, já há inclusive o nome de Joanilson Laércio Barbosa Ferreira, uma indicação do PMDB de Minas Gerais e ligado ao ministro Hélio Costa (Comunicações).

O cargo é ocupado interinamente por um funcionário de carreira do BB. A outra vice-presidência que poderia ser ocupada pelo partido é a de Agronegócios e Governo, preenchida por um técnico interino, pois tem o atrativo de tratar diretamente com Estados, municípios e área agrícola.

Se as indicações forem efetivadas, será uma reversão do quadro atual. Pela primeira vez no governo Lula, 100% da cúpula do banco é composta por funcionários de carreira. Apesar de três deles terem vinculação com partido político, essa foi um mudança efetuada após o envolvimento do BB no escândalo do mensalão.

Segundo a Folha apurou, se depender do ministro Guido Mantega (Fazenda) nada muda no BB. Ele é a favor da manutenção de Antônio Francisco de Lima Neto, técnico de carreira, na presidência e dos demais vice-presidentes por considerar que eles estão fazendo um bom trabalho.

Segundo interlocutores, Mantega também tem dito estar satisfeito com o trabalho de Maria Fernanda Ramos Coelho na presidência da Caixa. Ela também contaria com a simpatia de Dilma.

Casa da Moeda

Outra disputa do PT é pela presidência da Casa da Moeda. Depois que o ex-presidente Manoel Severino foi acusado de receber R$ 2,7 milhões do esquema irregular comandado pelo publicitário Marcos Valério, o então ministro Antonio Palocci Filho optou por uma escolha técnica para o cargo: José dos Santos Barbosa, chefe do Departamento do Meio Circulante do Banco Central.

No entanto ele já recebeu o cargo com a nomeação do diretor de Administração, Paulo Bretas, que foi investigado por supostas irregularidades na renovação do contrato de prestação de serviços da Caixa com a GTech. Ele foi vice-presidente de Logística do banco estatal.

Agora, Bretas quer a presidência da Casa da Moeda e espera ter o apoio dos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).

Caixa Econômica

A Caixa tem mais chances de ficar como está, porque sua composição já atende aos partidos. Dos 11 vice-presidentes, três são indicados pelo PT, dois pelo PMDB e um pelo PTB. Do restante, três são funcionários de carreira sem vinculação política, um é técnico do Banco Central e um é da Unicamp.

Ainda assim, há o interesse dos partidos na área de Distribuição, que cuida diretamente da rede de agências. Além disso, o vice-presidente de Logística indicado pelo PTB, Paulo Cotta, teria sido convidado para trabalhar com o ministro e correligionário Walfrido dos Mares Guia. Com isso, abre-se uma nova vaga para disputa.





Fonte: Folha de S.Paulo

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