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Meio Ambiente
Sábado - 10 de Fevereiro de 2007 às 08:10

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LONDRES - O magnata britânico Richard Branson, proprietário da marca Virgin - que inclui, entre outros negócios, uma empresa aérea e uma companhia de turismo espacial - lançou uma oferta de US$ 25 milhões (mais de R$ 50 milhões) por pesquisas científicas que levem a um meio de retirar gases causadores do efeito estufa do ar.

O ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, deu seu apoio ao desafio, que Branson comparou ao prêmio oferecido, no século 17, por um meio para a determinação de longitudes em alto mar.

Branson espera que o prêmio leve à criação de uma máquina capaz de remover dióxido de carbono da atmosfera, uma idéia que cientistas consideram viável.

Um importante relatório internacional, publicado na semana passada, adverte que o aquecimento global é um fato e que mudará o mundo nos próximos séculos. "A humanidade criou o problema, logo a humanidade deve resolver o problema", disse Branson.

Ao fazer a comparação com o prêmio da longitude, Branson lembrou que o ganhador, o relojoeiro John Harrison, precisou de 60 anos para chegar a uma solução. "A Terra não pode esperar 60 anos. Precisamos que todas as pessoas com capacidade de achar uma resposta se dediquem a isso hoje", afirmou.

O engenheiro David Keith, da Universidade de Calgary, que tem uma patente provisória de tecnologia para captura de CO2, disse que "não há mistério nisso, é tudo uma questão de custo".

"Todas as plantas no meu escritório fazem isso", disse ele. A chave, afirma, é tornar o processo eficiente em termos de custo. "É tudo uma questão de preço". Keith diz que sua tecnologia deverá ser capaz de capturar carbono a US$ 300 a tonelada.

Em 2005, o Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática concluiu que a tecnologia de captura de CO2, se aplicada de modo agressivo, poderia responder por até metade dos esforços mundiais para combater e reduzir o aquecimento global. Segundo o relatório, a parte crucial é aprisionar a substância e mantê-la longe da atmosfera.

O especialista em clima Andrew Weaver, da Universidade de Victoria, no Canadá, afirma que garantir que o dióxido de carbono ficará no subsolo, depois de capturado, é um ponto crítico. Usar poços de petróleo - da onde boa parte do CO2 veio, em primeiro lugar - seria um passo lógico, segundo ele.

Especialistas concordam que o desafio de Branson é complexo, já que nenhuma tecnologia de captura de carbono existe em ação. Cientistas escandinavos já enterram emissões de CO2 antes que cheguem à atmosfera, mas ninguém ainda capturou o gás uma vez que ele tenha se misturado com o ar.




Fonte: AP

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