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Politica Brasil
Quarta - 17 de Janeiro de 2007 às 07:09
Por: Kleber Lima

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Mato Grosso está vivendo um processo intenso de substituição de liderança política. Se a eleição de Blairo Maggi ao governo, em 2002, foi um marco importante neste processo, de renovação dos velhos líderes, as eleições seguintes desenvolveram ainda mais esse fenômeno.

No início, foi a onda Maggi que estimulou um sem-número de empresários a ingressarem na vida pública, ocupando cargos ou disputando-os. Nas eleições municipais de 2004, muitos descobriram, no entanto, que não é tão fácil se adaptar na política, simplesmente porque um líder referencial conseguiu a façanha. Agora mesmo, pelo que se lê nas páginas, o empresário Mauro Mendes teria desistido de sua pré-candidatura à prefeitura de Cuiabá, ano que vem. Não se sabe (ou não foram informados) os motivos da decisão. Mas, pode-se deduzir que o empresário tenha começado a entender que são mundos muitos diferentes o empresarial e o político.

Outra curiosidade nessa contra-marcha da invasão da política pelos empresários pode ser desvelada pela posse relâmpago de Gilberto Goelnner, que ficou apenas poucas horas no cargo de secretário de desenvolvimento rural, provocando surpresa e constrangimento ao líder maior do grupo, o próprio governador Maggi.

A experiência de Adilton Sachetti na prefeitura de Rondonópolis também não é das mais bem-sucedidas. Falta-lhe, pelo que se informa daquela República, habilidade política para lidar com a política. Embora já faça um tempinho considerável que os jornais não noticiam crises por lá.

Tudo bem. Ainda temos a eleição de Otaviano Pivetta como deputado estadual e Homero Pereira como federal, entre outros novatos. São duas promessas interessantes, e podem sim representar esse novo perfil de político que nossa sociedade está produzindo (se bem que Homero não é exatamente um estreante em política, já tendo exercido outros cargos em outras épocas).

Essa renovação, ainda em curso, creio, é um fenômeno chamado mais adequadamente de substituição de liderança, por uma necessidade dos grupos sociais e econômicos ou do tempo histórico em que vivemos.

Talvez a mais relevante - e violenta até -, tenha sido a eleição de Homero Pereira. Significa que o agronegócio pode estar buscando um substituto para Jonas Pinheiro, uma vez que é sabido que a principal vítima da eleição de Pereira foi a deputada Celcita Pinheiro. Jonas termina seu mandato em 2010, e muito provavelmente não terá o apoio desse segmento para uma eventual candidatura à reeleição ao Senado.

Primeiro, porque o próprio Blairo Maggi deverá ser candidato a uma das vagas. E não haveria representante melhor nem mais adequado ao setor que ele próprio. Quanto à outra vaga, já estão de olho nela nomes como José Riva, Welington Fagundes, Carlos Bezerra, Carlos Abicalil, Luiz Pagot, entre outros. Exceto Bezerra, que tem mais tempo de estrada, todos os demais constituiriam a chamada nova liderança.

O problema, como diz Bezerra, é que nosso país, e não apenas Mato Grosso, sofre hoje a conseqüência mais grave, no longo prazo, da ditadura militar. Ela estrangulou a escola de líderes que havia no país ao pilhar sindicatos, entidades de classe, abafar o movimento popular e social. Temos nomes novos, é verdade, e eles serão sempre produzidos pela sociedade. Mas, não representam, necessariamente, uma renovação de práticas, a modernidade, porque, sem a oportunidade de terem passado por essa escola de líderes, aprenderam política com uma práxis pura, pragmática, empírica, e a pedagogia do empirismo normalmente ensina apenas o caminho mais fácil, o melhor resultado, desconsiderando totalmente a dimensão ética, filosófica, ideológica e de princípios. E política sem isso, francamente, deixa de ser política. Vira apenas negócio.

KLEBER LIMA é jornalista e analista político em Cuiabá. E-mail: kleberlima@terra.com.br. www.kgmcomunicacao.com.br.





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