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Esportes
Quarta - 08 de Novembro de 2006 às 22:53

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O Estado italiano exigirá dos 15 envolvidos no escândalo de corrupção do futebol do país uma indenização de 120 milhões de euros (cerca de R$ 327 milhões), pela sua participação no caso que provocou o rebaixamento da Juventus para a Série B, informa nesta quarta-feira a agência de notícias Ansa.

A lista é encabeçada por Franco Carraro, Innocenzo Mazzini e Francesco Ghirelli, ex-presidente, vice e secretário, respectivamente, da Federação Italiana de Futebol (FIGC), todos eles envolvidos no escândalo.

Também figuram o ex-titular da Associação Italiana de Árbitros (AIA), Tullio Lanese; os designadores arbitrais Paolo Bérgamo e Pierluigi Pairetto e os árbitros Massimo De Santis e Gianluca Paparesta, acusados de integrar a rede de corrupção controlada por Luciano Moggi.

Moggi, ex-diretor geral da Juventus, assim como Antonio Giraudo, ex-vice do clube de Turim, foram excluídos, pois da lista só constam "personagens vinculados institucionalmente ao Estado pelo seu papel como dirigentes, árbitros e funcionários na FIGC, que depende do Comitê Olímpico Internacional Italiano (Coni).

Moggi e Giraudo não prestavam serviço público ao Estado, o mesmo que outros dirigentes de Fiorentina, Lazio e Milan, os outros três clubes envolvidos no escândalo que obrigou a FIGC a tirar da Juventus o seu último "scudetto", por fortes suspeitas de arranjo de jogos.

As primeiras sanções do escândalo, atenuadas em sentenças posteriores, ocorreram quase simultaneamente à conquista da seleção "Azzurra" do Mundial da Alemanha.

O valor foi quantificado pela Corte de Contas e leva a assinatura do procurador Ugo Montella, que exigiu dos acusados um ressarcimento de 100 milhões de euros por ter prejudicado a imagem da Liga; e outros 20 milhões por "mau serviço" e "lucro cessante".

O "mau serviço" provocou, segundo a acusação, uma "grave perda de credibilidade para o desporte"; e o "lucro cessante" na diminuição do público que vai aos estádios, com "danos de arrecadação impositiva para o Estado".

Todos os envolvidos estão sendo investigados pela Procuradoria Geral do Tribunal de Nápoles, por distintos ilícitos, que vão desde associação criminosa até fraude desportiva, entre outros e cuja causa serviu de base para Montella.

Também se pediu uma indenização de 2 milhões de euros à RAI (a Rádio-televisão Italiana) cujos dirigentes Ciro Venerato e Ignazio Scardina são acusados de ter distorcido as transmissões dos jogos por cumplicidade com Moggi.

"Na verdade o dano à imagem é incalculável", disse Montella, cuja acusação se completa com Maria Grazia Fazi, Cosimo Maria Ferri, Fabrizio Babini, Duccio Baglioni, Enrico Ceniccola e Claudio Puglisi, também incluídos no escândalo.

O escândalo, afirmou Montella, minou a base de credibilidade do futebol e a possibilidade de que o esporte mais popular da Itália "sirva de exemplo para os jovens".

A exigência surpreendeu os especialistas, pela inclusão de nomes como o de Cosimo Maria Ferri, o juiz que teria falado de um suposto ilícito no jogo Lazio-Fiorentina e que nunca foi julgado pela justiça desportiva.

A posição de Carraro também provocou surpresa, pois o ex-presidente da FIGC, inicialmente acusado e suspenso por quatro anos e seis meses, ganhou apelações sucessivas e hoje mesmo o Colégio Arbitral do Coni anulou toda suspensão mas manteve a multa de 80 mil euros contra ele.

O escândalo também provocou a intervenção do Coni na FIGC, cujo atual titular, Luca Pancalli, negou hoje que o novo governo de Romano Prodi exerça pressão sobre a direção do futebol, diante das queixas do Milan do ex-premier Silvio Berlusconi.

"Nos 40 dias que estou no cargo não sofri pressões nem do mundo da política nem do desporto, trabalho em plena autonomia e em plena autonomia também posso me equivocar", disse Pancalli ao refutar as críticas do Milan de Berlusconi, que sugeriu que atualmente os árbitros atuam contra o seu time.





Fonte: Terra

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