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Economia
Sexta - 25 de Agosto de 2006 às 15:37

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A rede GSM que a Vivo construirá praticamente não demandará novos investimentos quando a companhia desejar e for possível implantar a migração para 3ª Geração, seja com a tecnologia W-CDMA ou HSDPA. A informação é do vice-presidente comercial da Ericsson, Carlos Duprat, e foi dada há pouco em entrevista exclusiva à Agência Estado. A empresa será a fornecedora para 100% do núcleo (core) da infra-estrutura para dados e voz do projeto GSM e também para a parte de rádio (ERBs) que cobrirá os estados de São Paulo, Distrito Federal, Bahia, Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. O outro fornecedor será a chinesa Huawei.

De acordo com o representante da gigante sueca, a tecnologia evoluiu substancialmente desde a criação das primeiras redes GSM no Brasil, há aproximadamente quatro anos. Ele disse que não é possível precisar qual parcela das redes das concorrentes já está nesta mesma etapa evolutiva. No entanto, frisou que toda a estrutura GSM da Vivo terá essa característica. Além do núcleo, as ERBs também serão otimizadas para 3G, pois a sobreposição com as tecnologias futuras poderá ser realizada apenas com a inserção de um cartão.

O executivo não revelou qual o montante do projeto que ficará com a Ericsson. No entanto, a operadora já divulgou que o total aplicado no empreendimento será de R$ 1,080 bilhão - aproximadamente um terço da expectativa dos especialistas, o que surpreendeu bastante o mercado. Este valor será gasto, principalmente, neste ano e em 2007. Duprat contou que os trabalhos já estão em andamento.

Ele ressaltou, a respeito do baixo custo do projeto, que a Ericsson não entrou neste negócio para perder dinheiro. Segundo o vice-presidente comercial da empresa, a economia foi possível porque 100% dos equipamentos utilizados nesta construção serão produzidos no Brasil. Ele explicou que boa parte dos componentes são importados, mas em porcentual suficiente para que o produto seja considerado nacional e tenha vantagens fiscais que representem redução significativa de preços. A fabricação local dos equipamentos deve-se à larga escala da companhia no Brasil, responsável pela implantação e manutenção de 90% do core das redes nacionais.

Além disso, Duprat explicou que a Vivo compartilhará os sites (locais em que são colocadas as antenas) em que possui as torres CDMA com o novo padrão, o que permite grande otimização dos gastos. "Pode não parecer, mais o maior investimento de um site novo está no cimento e no ferro, não na parte eletrônica. Temos feito um grande esforço para reduzir os custos adjacentes." Para os estados em que a operadora ainda não atua e, cuja cobertura depende da obtenção de licenças junto à Anatel, a intenção é compartilhar sites com as empresas concorrentes.

O objetivo da Vivo é ter capacidade suficiente para vender celulares GSM na campanha de Natal, uma das maiores do ano, ao lado do Dia das Mães. Recentemente, o presidente da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro, disse em visita ao Brasil que a estratégia comercial começará pelo pré-pago. Duprat explicou que a simplicidade desta modalidade vem do fato de o tráfego gerado por estes usuários necessitar de menos capacidade. "Toda a rede nova tem uma curva de otimização", disse, lembrando que a atual infra-estrutura da Vivo tem grande capacidade, incluindo transporte de dados em alta velocidade com o Ev-Do. "Não é para dados que a Vivo está fazendo essa rede nova."

A Ericsson já realizou outros projetos globais de implantação de uma rede GSM conjunta a uma CDMA de uma mesma operadora. No entanto, o empreendimento da Vivo traz diversos desafios à empresa, disse o executivo, pois é o maior deles, num País com dimensões continentais, prazo exíguo e dentro da mesma freqüência (850 MHz). Duprat afirmou que a operadora fará uma limpeza do espectro para facilitar os trabalhos dos fornecedores e liberar faixas para o padrão europeu.

Ele acredita que a nova rede pode ser implantada de forma eficiente com aproximadamente 7,5 Mhz, embora seja possível utilizar apenas 5 MHz. A Vivo possui a menor faixa dentre todas as operadoras do País, o que é possível dada a otimização espectral do CDMA. Enquanto as companhias originalmente GSM possuem 30 MHz no total, a líder brasileira conta com apenas 25 Mhz. O vice-presidente comercial da Ericsson acredita que a companhia pode obter sucesso nesta limpeza com o desligamento do antigo sistema analógico, o que está inclusive previsto pela Anatel. Ele não aposta em migração incentiva do TDMA para o GSM.





Fonte: 24HorasNews

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