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Saúde
Quarta - 13 de Abril de 2005 às 08:48

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A Organização Mundial da Saúde orientou mais de 3,7 mil de laboratórios em 18 países – incluindo o Brasil – a destruir amostras de um vírus causador de uma gripe mortal que lhes foram enviadas por engano por uma instituição americana. Trata-se do vírus que causou a “gripe asiática” que matou 4 milhões de pessoas em 1957, mas desapareceu completamente por volta de 1968.

A Organização Mundial da Saúde disse à BBC Brasil que amostras contaminadas foram enviadas para alguns laboratórios no Brasil, que já foram notificados de que elas devem ser destruídas.

A OMS também afirmou ter enviado uma carta ao Ministério da Saúde, pedindo para acompanhar a destruição das amostras.

Bioterrorismo

As amostras fazem parte de kits usados em testes e que foram distribuídos por uma empresa americana a pedido do Colégio Americano de Patologistas, que auxilia laboratórios a realizar experiências na área.

No dia 8 de abril, o governo americano pediu ao órgão que escrevesse aos laboratórios que as receberam e os orientasse a destruir as amostras. A maioria fica nos Estados Unidos.

Por medo de que o vírus, cujo nome técnico é H2N2, pudesse ser usado em um ataque terrorista com armas biológicas, as cartas foram enviadas antes que o erro viesse a público.

Segundo a OMS, é pequeno o risco de que algum funcionário destes laboratórios seja infectado pelo vírus, mas, se isso acontecer, sua disseminação pode ser muito rápida.

“Se o vírus escapar, pode facilmente ocorrer uma epidemia”, disse à BBC o principal especialista em gripe da OMS, Klaus Stohr.

Anticorpos

A situação seria agravada porque, de acordo a OMS, ninguém nascido depois de 1968 teria anticorpos contra o H2N2.

A organização também alertou que não há como garantir que todas as amostras sejam destruídas, pois alguns dos laboratórios podem ter enviado colônias por eles desenvolvidas para outras instituições.

Os kits são usados para os laboratórios testarem sua capacidade de identificar corretamente as variadas estirpes dos vírus.

Normalmente, eles incluem apenas vírus em circulação ou que deixaram de existir ao natural há pouco tempo.

No caso em questão, o H2N2 havia sido classificado como nível de segurança biológica 2 - o que significa que não era considerado especialmente perigoso.

Mas a agência do governo americano que classifica os vírus estava em processo de reavaliação do H2N2 quando descobriu que os kits já haviam sido amplamente distribuídos.




Fonte: BBC Brasil

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