Publicidade
Repórter News - reporternews.com.br
Economia
Quinta - 07 de Abril de 2005 às 14:04

    Imprimir


Os preços da soja no mercado mundial estão em alta devido à redução do volume ofertado. A saca de 60 quilos, que até meados de março estava cotada a R$ 26, chegou a R$ 32 na semana passada. A quebra da safra brasileira pode ter tido influência na elevação do preço, na avaliação do diretor de Avaliação de Safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eledon Pereira de Oliveira.

Devido à longa estiagem que atingiu a região Sul, houve redução de 8,3 milhões de toneladas na safra total de soja, quando se compara os números do levantamento extra, feito pela Conab em março, aos números do levantamento de dezembro de 2004.

A produção foi de 61,4 milhões de toneladas em dezembro de 2004 e a seca teve efeito direto na produtividade paulatinamente. Já em fevereiro, no levantamento bimestral, a Conab registrou redução. Foram colhidas 57 milhões de toneladas. Como a seca ainda perdurava em março, a estatal fez o levantamento extra, quando se registrou colheita de 53,1 milhões de toneladas de soja.

"Houve quebra acentuada, principalmente quando se leva em conta que a expectativa era de que a safra de soja superasse os 61 milhões de toneladas, quando o período de estiagem estava se iniciando e ainda se previa a ocorrência de chuvas. Mas a seca se prolongou, causando prejuízos", disse Oliveira.

A maior quebra foi registrada no Rio Grande do Sul, que dos 9,2 milhões de toneladas de soja registrados em dezembro, passou para 3 milhões de toneladas em março. Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina também foram afetados, além do sul de Goiás. A queda na safra de soja do Rio Grande do Sul foi de 66,7%; em Santa Catarina, de 32%; no Paraná, de 13%; e em Goiás, de 7%.

O milho, segunda cultura mais afetada pela seca, teve quebra de 3,3 milhões de toneladas. O levantamento de março aponta para uma colheita total de 29,3 milhões de toneladas do grão, que atingiu a marca de 32,6 milhões de toneladas em dezembro. A perda maior do chamado milho de primeira safra foi, uma vez mais, no Rio Grande do Sul. Foram 55% em termos percentuais. Reduziu-se de 4,9 milhões de toneladas para 2,2 milhões de toneladas. O plantio da primeira safra de milho ocorre entre setembro e dezembro. A seca atingiu a cultura em plena floração, daí os prejuízos.

A participação do milho e da soja na safra total de grãos, referente à safra 2004/5, é de 77%. Mesmo assim, a expectativa é de chegar a 119,5 milhões de toneladas de grãos colhidos nesta safra. Na safra passada (2003/2004), o total foi de 119,2 milhões. "De qualquer maneira é computado como perda. Calculava-se que a safra total de grãos seria de 131 milhões de toneladas", disse Oliveira.

O levantamento bimestral de abril, que será divulgado pela Conab até a segunda semana de maio, trará avaliações ainda referentes aos efeitos da seca. O relatório avaliará ainda a estimativa da área plantada da safrinha de milho, a segunda safra, além da colheita de soja no Mato Grosso. O estado sofre com o excesso de chuvas nos últimos dois meses e o fenômeno atingiu, principalmente, o pico da colheita, que se dá nos meses de março e abril.

A safrinha de milho, segundo Oliveira, também pode ter quebra porque a estiagem atingiu o período de plantio, que ocorre de janeiro até o início de março. "É possível que alguns produtores não tenham se animado a plantar depois da quebra que tiveram na primeira safra", disse Eledon Oliveira.





Fonte: Agência Safras

Comentários

Deixe seu Comentário

URL Fonte: http://reporternews.com.br/noticia/348251/visualizar/