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Economia
Sábado - 26 de Fevereiro de 2005 às 10:05
Por: Carlos Martins

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"O que me chamou a atenção aqui na Bolívia é como as mulheres trabalham", disse o governador Blairo Maggi, em tom de brincadeira. O que ele constatou foi o mesmo que todos viram nas longas travessias pelo país, a partir de San Mathias, passando por San Ignácio, Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, La Paz, até Desaguadero, que faz divisa com a região de Puno, no Peru. Não é que os homens não trabalhem, é que, ao longo das estradas, em grande parte sem asfalto, e subindo pela Cordilheira dos Andes, atravessando o altiplano, podiam-se avistar mulheres na tarefa de pastoreio.

Pacientemente, elas ficavam cuidando de ovelhas e carneiros, que bebiam água e comiam o pasto.

As casas avistadas ao longo das estradas são pobres, simples, feitas de adobe. Algumas são cobertas por telhados feitas de palha e outras com zinco. Em todos os telhados, pedras são espalhadas em toda a extensão. É que a noite venta muita na região. Contou-se que o Governo boliviano promoveu na região, cercada de montanhas, uma reforma agrária e destinou cerca de meio hectare para cada família. Elas sobrevivem também cultivando algumas variedades de batatas, cuja plantação colorida – fores lilás e amarela – era vista das janelas dos veículos, ao longo do percurso. Nas encostas das montanhas, em terreno bem íngreme, observam-se algumas plantações e fica-se imaginando como eles conseguem trabalhar ali.

Em cada distrito, pessoas, famílias, aguardavam a comitiva com faixas simples, frases como "Bienvenidos, hermanos", escritas em cartazes de papelão, saudavam a comitiva pela iniciativa de integrar os "irmãos de nossos países". Pedidos de ajuda, como na pequena San Vicente da Fronteira (a 120 km de San Ignácio), que fica na divisa com Vila Bela de Santíssima Trindade (MT), que solicitou a intermediação do governador Maggi para que a energia elétrica, distante no lado brasileiro a cinco quilômetros, chegue ao lugarejo onde vivem 100 famílias, das quais 30 são brasileiras.

Para efeitos comparativos, a Bolívia tem cerca de 1,1 milhão km². Já Mato Grosso tem 906 mil km². Se o PIB boliviano atingiu, em 2003, US$ 7,7 bilhões, o do Brasil foi de US$ 492,5 bilhões. O Brasil é o parceiro comercial que mais importa produtos do Chile. Os últimos números mostram que o Brasil comprou US$ 500 milhões do País vizinho. Nesse pacote, o gás vindo de Santa Cruz de la Sierra aparece com destaque.

Aumentar o comércio intra-regional é a meta, mas, para isso, deve-se investir em infra-estrutura, principalmente com a pavimentação de um trecho de 450 quilômetros entre San Mathias e Concepción e também combater a burocracia. A integração, como Maggi disse ao presidente da Bolívia, Carlos Mesa, passa pela eliminação das barreiras, das famosas "trancas", que a cada 40 ou 50 km atrapalham o trânsito de mercadorias e pessoas em busca de turismo.

No caminho alternativo entre Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba, numa viagem que durou 11 horas, a comitiva passou por estradas sinuosas, à beira do abismo, cuja maior altitude chegou a 3.280 metros. Em alguns trechos com neblina e chuva, os veículos venceram o barro e subidas muito fortes. Em alguns pontos, as serras se estendiam por 30 a 40 quilômetros. Entre Cochabamba e La Paz, depois de duas horas de estrada, uma pequena parada para se aclimatar a uma altitude de 4.102 metros, na Cordilheira dos Andes. Sentimos aí os efeitos do ar rarefeito. Qualquer esforço, como acelerar o passo, é temerário e a tontura é algo inevitável. Nesse lugar, os moradores também ganham a vida com o direito à imagem. Eles cobram dinheiro dos turistas que pretendem fotografá-los.





Fonte: Secom - MT

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