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Economia
Sexta - 24 de Dezembro de 2004 às 12:24
Por: Ana Paula Ribeiro

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O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) acredita na manutenção dos juros altos ainda por um longo período e não descarta inclusive a possibilidade de aumentá-los para fazer a inflação convergir para a meta ajustada de 5,1% de inflação em 2005. A avaliação consta da ata da reunião que elevou os juros básicos da economia de 17,25% para 17,75% na semana passada. Foi a quarta elevação consecutiva.

"No entender dos membros do Copom, a combinação de etapas adicionais desse processo de ajuste [gradual dos juros básicos] com um período suficientemente longo de manutenção dos juros após a sua conclusão deverá reduzir de forma significativa a probabilidade de que a trajetória futura da inflação se desvie dos objetivos estabelecidos para a atuação da política monetária", diz a ata da reunião, divulgada ontem.

A meta de inflação para 2005 é de 4,5% do IPCA, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. No entanto, em setembro, o BC divulgou que iria trabalhar com um objetivo de 5,1%. O mercado esperava, na semana anterior à reunião do Copom, uma inflação de 5,78% no ano que vem.

Após a decisão da semana passada, os analistas financeiros reduziram para 5,76% essa previsão, e avaliaram ainda que em janeiro a taxa será mantida em 17,75%, segundo o boletim Focus realizado semanalmente pelo BC.

O Copom justificou a última elevação dos juros como necessária para assegurar que a inflação esperada pelo mercado caminhe para o objetivo do BC. O documento diz ainda que já houve uma certa redução das expectativas do mercado desde setembro, quando o movimento de alta da Selic foi iniciado.

"Tendo em vista a necessidade de assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas no horizonte relevante para a atuação da política monetária, os membros do Copom entenderam que o processo de ajuste gradual dos juros básicos deveria prosseguir no ritmo originalmente previsto."

Como fatores que contribuíram para a convergência das expectativas de mercado para objetivo, embora não no ritmo esperado pelo BC, o comitê cita a redução nos preços internacionais do petróleo, a valorização do real frente ao dólar e um certo arrefecimento no ritmo de expansão da atividade econômica.

O petróleo está sendo comercializado pouco acima de US$ 44 o barril, após ter sido comercializado a mais de US$ 55 neste ano.

No entanto, o Copom avisa que a exacerbação dos considerados "fatores de risco", como os preços do petróleo e as expectativas de inflação, poderá levar a uma alteração no ritmo de ajuste da política monetária. Essa preocupação já havia sido destacada pelo comitê na ata da reunião de novembro.

O Copom espera também que o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) continue com a adoção de um aumento moderado nos juros.

"A eficácia do ajuste na magnitude prevista depende também da percepção antecipada de que esse ajuste será mantido por tempo suficiente para que surta os efeitos pretendidos. Caso avalie que há risco de descontinuidade nesse processo de convergência da inflação e das expectativas para os objetivos da política monetária, a autoridade monetária estará preparada para alterar o ritmo e a magnitude do processo de ajuste nos juros básicos iniciados na reunião de setembro do Copom", diz o documento de ontem.




Fonte: Folha do Estado

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