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Economia
Terça - 25 de Maio de 2004 às 15:02
Por: Suzi Bonfim

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Os técnicos da superintendência de Programas Especiais da Secretaria de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Seder) estão orientando as lideranças indígenas das aldeias Apiaká, Kayabi e Munduruku, no município de Juara (630 km de Cuiabá), na elaboração do projeto de revitalização da Indústria de Beneficiamento de Castanha do Brasil, instalada pela comunidade.

Em reunião na manhã desta terça-feira (25.05), o grupo da comunidade indígena e o diretor da MT Fomento, Amado Oliveira, o coordenador da Superintendência de Assuntos Indígenas, Idevar Sardinha e o superintendente de Programas Especiais, Argeu Ortiz, discutiram com as lideranças os mecanismos e as fontes de recursos para viabilizar o funcionamento da industria que está desativada por falta de capital de giro.

O coordenador da Associação Indígena Araruê, Erivaldo Morimã, explicou que a indústria foi instalada em 2003, com recursos do Ministério do Meio Ambiente em parceria com a prefeitura de Juara. “O pessoal recebeu treinamento, visitamos industrias em Macapá no Amapá, mas não conseguimos produzir por falta de dinheiro para adquirir a matéria-prima”, disse o índio. Uma das maiores dificuldades enfrentadas pela comunidade é a concorrência com os atravessadores que compram a castanha para revender para as indústrias em São Paulo.

Entre as alternativas para a alocação de recursos estão o novo programa de Governo, o ProveMais que está sendo finalizado e o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) B, direcionado à famílias com renda anual de até R$ 2 mil, índios, quilombolas e pescadores tradicionais. “No Pronaf B temos cerca de R$ 2 milhões disponíveis para aplicação até o mês de julho deste anos. É possível com este recurso atender até duas mil famílias”, garantiu o secretário-executivo do Pronaf e superintendente de Agricultura Familiar da Seder, Amarildo Melo Duarte. O financiamento com recursos do Pronaf prevê dois anos de prazo para a implantação do projeto, um ano de carência para o pagamento com 1% de juros ao ano e 25% de bônus de adimplência (desconto). “A idéia é financiar o extrativismo da castanha. Há outros projetos sendo discutidos pela Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural) e pela Seder na comunidade indígena de Gomes Carneiro, no município de Santo Antônio do Leverger”, informou o superintendente. De acordo com o diretor da MT Fomento, Amado Oliveira, este é o caminho mais viável para alocar recursos para os índios à curto prazo. “Uma empresa brasileira, a Cogno, está disposta a comprar a produção da industria para exportar para a Europa pro 7 euros. O mercado existe, mas eles precisam se organizar para pa mercado garantir a matéria-prima sem competir com os atravessadores”, considerou o diretor. Os índios dizem que pretendem fazer o aproveitamento de 100% da castanha produzindo biscoito, adubo e carvão vegetal com as sobras do produto. “Não queremos só produzir com a matéria-prima das aldeias, mas com toda a produção de castanha do Vale do Arinos, de Alta Floresta à cidade de Sinop. Vamos criar a cooperativa, nos profissionalizar e incentivar a comunidade, mostrando o que o projeto significa. O lucro da comercialização será dividido entre os cooperados e o que sobrar será investido em melhorias nas aldeias, habitação, escola e posto se saúde”, garantiu Erivaldo Morimã. A produção de castanha das aldeias é de cerca de 65 mil quilos por ano e da região, 250 mil quilos e a maior parte é vendida aos atravessadores do sul do país. A Indústria de Beneficiamento do Brasil é capacidade para beneficiar 18 toneladas por mês. “Também iremos fazer o reflorestamento das castanheiras na região para garantir a continuidade do projeto”, assegurou o grupo de índios. Para o superintendente de Assuntos Indígenas do governo do Estado, Idevar Sardinha, a indústria vai agregar valor à castanha que atualmente saí in natura de Mato Grosso. “O extrativismo da castanha faz parte das tradições do povo indígena e com a industria eles poderão ter renda e mais qualidade de vida”, constatou.




Fonte: Secom - MT

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