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Internacional
Domingo - 24 de Julho de 2022 às 09:50
Por: Tedros Adhanom

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, neste sábado (23), que a doença varíola dos macacos agora é considerada uma emergência de saúde pública global.

“Acreditamos que isso possa mobilizar o mundo a agir em conjunto. Precisamos de coordenação e solidariedade para que sejamos capazes de controlar a varíola dos macacos”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

“Com as ferramentas que temos agora, nós podemos controlar esse surto e parar a transmissão”, acrescentou.

Em seu pronunciamento, Tedros explicou que são considerados cinco elementos para a tomada de decisão se um surto constitui uma emergência global.

“Primeiro, as informações fornecidas pelos países – que neste caso mostram que esse vírus [varíola dos macacos] se espalhou rapidamente para muitos países que não o viram antes”, disse o diretor da OMS.

Em segundo lugar, ele cita que foram atendidos os critérios do Regulamento Sanitário Internacional – uma norma jurídica que a OMS segue.

Em terceiro lugar, é levada em consideração a opinião do Conselho do Comitê de Emergência, que, neste caso da varíola dos macacos, não chegou em consenso.

“Quarto: princípios científicos, evidências e outras informações relevantes, que atualmente são insuficientes e nos deixam com muitas incógnitas”, afirmou Tedros.

“Quinto: o risco para a saúde humana, disseminação internacional e o potencial de interferência no tráfego internacional”, acrescentou.

A avaliação da OMS é que o risco de varíola é moderado globalmente e em todas as regiões, exceto na região europeia, onde avaliamos o risco como alto.
Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS

“Então, resumindo, temos um surto que se espalhou pelo mundo rapidamente, através de novos modos de transmissão, sobre os quais entendemos muito pouco e atende aos critérios do Regulamento Sanitário Internacional”, concluiu o diretor da OMS.

Lesões na pele semelhantes a espinhas, que evoluem para bolhas são um dos principais sintomas da doença / Kateryna Kon/Science Photo Library/Getty Images

Nota do Ministério da Saúde sobre declaração de emergência

O controle da varíola dos macacos, também conhecida como monkeypox, é prioridade para o Ministério da Saúde, que realiza o constante monitoramento e analisa diuturnamente a situação epidemiológica para orientar as ações de vigilância e resposta à doença no Brasil.

Todas as medidas hoje anunciadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) já são realizadas pelo Brasil desde o início de julho de forma a realizar uma vigilância oportuna da doença.

Antes mesmo da ocorrência de casos suspeitos ou confirmados da varíola dos macacos no país, o ministério instalou uma Sala de Situação para elaborar um plano de ação com o objetivo de estabelecer estados e municípios sobre a melhor forma de atender a população.

Sob a coordenação do Ministério da Saúde, a atuação contou também com a participação do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e Organização Pan-americana da Saúde (OPAS).

A partir do dia 11 de julho, com fluxos de notificação, diagnóstico, assistência e medidas de contenção e controle instituídos, o trabalho realizado pela Sala foi incorporado às atividades da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, o que inclui o monitoramento de casos, a análise do perfil epidemiológico das notificações, a orientação das ações de vigilância, bem como a divulgação diária da situação dos casos no país.

Essas atividades ainda são realizadas rotineiramente pela área técnica responsável.

A pasta informa que os testes para diagnóstico estão disponíveis para toda a população que se enquadre na definição de casos suspeitos para varíola dos macacos, sendo atualmente realizados em quatro laboratórios de referência no país.

Além disso, o Brasil capacitou países das Américas para a realização de diagnóstico laboratorial. O Ministério da Saúde também tem articulado com a OMS as tratativas para aquisição da vacina varíola dos macacos, de forma que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) possa definir a estratégia de imunização para o Brasil.Com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, o Brasil está preparado para enfrentar a varíola dos macacos.

Brasil tem 607 casos confirmados de varíola dos macacos, diz Saúde

Após quarenta e quatro dias do primeiro caso de monkeypox, a varíola dos macacos, o Brasil já soma 607 casos, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A maior parte deles, 438, estão no estado de São Paulo.

Entre os casos registrados, 86 são do Rio de Janeiro, 33 de Minas Gerais, 12 do Distrito Federal, 10 do Paraná, 8 de Goiás, 5 da Bahia, 2 do Ceará, 3 do Rio Grande do Sul, 2 do Rio Grande do Norte, 2 no Espírito Santo, 3 em Pernambuco, 1 em Mato Grosso do Sul e 1 em Santa Catarina.

O ministério afirmou, em nota, que mantém articulação direta com os estados para monitoramento dos casos e rastreamento dos contatos dos pacientes. O número total de casos publicados pelo Ministério da Saúde na quinta-feira (21) é 13% maior do que o divulgado no dia anterior, quarta-feira (20).

Apesar do nome da infecção, macacos não transmitem a varíola. A varíola dos macacos é uma doença transmitida principalmente pelo contato íntimo e troca de secreção entre pessoas.

Isso quer dizer: abraço, beijos, contato sexual, compartilhamento objetos de higiene pessoal, talheres etc. Além disso, o vírus também se espalha por vias respiratórias, mas essa situação é menos comum do que a primeira. Na maior parte dos casos, a infecção não é letal, mas pode se manifestar de forma mais grave em pessoas com comorbidades.

Frascos de coleta de sangue para verificação da varíola dos macacos / Getty Images/Jasmin Merdan

O infectologista Marcelo Otsuka explica que, apesar do aumento progressivo do número de casos, o mais comum é que os infectados tenham tido contato com pessoas que voltaram recentemente do exterior.

Na visão dele, ainda não corremos o risco da infecção se tornar uma pandemia, como a de coronavírus. Apesar disso, Otsuka ressalta que a principal característica dos vírus é a mutação. Então, nada impede de que em algum momento este vírus se torne mais forte e mais contagiante.

A higiene pessoal é o maior aliado contra a varíola dos macacos, assim como para a maior parte das doenças infecciosas.

É necessário sempre lavar as mãos e evitar o compartilhamento de objetos pessoais como toalhas, talheres, maquiagem e lâminas de barbear.

Uso de máscaras ajuda a frear transmissão da varíola dos macacos, diz especialista

A escalada de casos de varíola dos macacos é esperada diante da alta da transmissão observada em outros países, como Estados Unidos e nações da Europa, segundo a professora do Departamento de Microbiologia da UFMG, Erna Geesien Kroon.

O Brasil já chegou à marca de 607 casos confirmados da doença, segundo o último levantamento do Ministério da Saúde.

A maior parte deles está concentrada na região Sudeste. Somente em São Paulo, são 438 pessoas infectadas.

“Está claro que desde o mês passado temos uma disseminação do vírus no país”, afirmou a especialista, em entrevista à CNN Rádio.

Segundo ela, apesar do monkeypox não ser tão infeccioso como outros vírus, a exemplo do Sars-cov, “ele é disseminado pelo trato respiratório, principalmente no período sem as lesões de pele características tem risco de transmitir para outros.”

Erma Kroon destaca que, uma vez que as lesões se manifestem, cada uma delas “contém milhões de partículas de vírus.”

A interrupção do ciclo de transmissão, ela explica, passa “por medidas de higiene, isolamento de pacientes que estão com as lesões e pelo uso de máscaras especialmente por quem ainda não tem as manifestações clínicas, ou seja, as lesões.”

Na avaliação da especialista, a possibilidade de compra ou produção da vacina contra a varíola dos macacos deverá ser avaliada pelo Ministério da Saúde em algum momento.





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